quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Bruegel

Os provérbios

Um trecho da Bíblia muito lido na época de Bruegel era o Eclesiastes, um dos livros do Velho Testamento que contém a frase "o número de tolos é infinito". Com este quadro, Bruegel teve a intenção de entreter e instruir. Fez isso com admirável sucesso, criando uma janela para o mundo, tanto no sentido visual como moral. A obra de Bruegel resistiu ao tempo porque cada geração tem a sensação de que ela se refere às questões e à realidade do seu próprio tempo.
Eis alguns provérbios que podemos localizar no quadro:

Vivendo debaixo da vassoura. Um casal mora junto sem estar casado ‑ um estado de pecado que se chamava "viver debaixo da vassoura”.

Um malandro com chapéu colorido de pompom branco está roubando nas cartas. Sua atitude para com o mundo é representada graficamente: ele defeca no globo abaixo da janela. Dentro da taverna, dois tolos "levam um ao outro pelo nariz”: um ignorante tenta instruir outro ignorante
Armado até os dentes "Colocar o guizo no pescoço do gato" era a tarefa perigosa que um intrépido rato tentou realizar, num conto de fadas flamengo. Este homem está sendo supercauteloso; está literalmente 'armado até os dentes", para proteger-se da ira de um gato velho e manso.
Assando arenques Este tolo perde tempo "assando arenques para comer as ovas". Ao seu lado, outro tolo literalmente "cai entre dois banquinhos", numa vã tentativa de sentar‑se em ambos.
Fogo e água A mulher carrega fogo em uma das mãos e água na outra: ela não consegue formar uma opinião. Ao seu lado, o porco que arranca a rolha do barril representa a ganância.
O hipócrita O pilar representa a Igreja; o homem que abraça e ao mesmo tempo morde o pilar é um hipócrita. Ele mantém seu ato em segredo, "debaixo do chapéu", que está colocado em cima do pilar.
A mulher que amarra um demônio numa almofada representa a esposa tirana. Bruegel dedicou um quadro a esse tema, conhecido como Dulle Griet (Margarida Louca). Os provérbios daquela época diziam que uma mulher assim era capaz de visitar o inferno sem nada sofrer.
Batendo a cabeça na parede. Muitos personagens, como este tolo que bate a cabeça na parede, perdem tempo em trabalhos vãos. Outros atos semelhantes de estupidez aparecem no quadro: no rio, um tolo "pesca atrás da rede", enquanto outro"nada contra a corrente", e à direita, embaixo, um homem tenta "abrir a boca mais que um fomo".
Muito trabalho e pouca lã, disse o tolo, e tosquiou o porco”. Atrás dele, duas mulheres espalham boatos maldosos.
Tapar o buraco depois que se afogou é tomar precaução depois que um desastre acontece.

2 comentários:

erika vanessa disse...

utilizei os comentários do provébios de Brueguel em uma prova da sexta série aqui em minha cidade no interior de São Paulo

amir brito cadôr disse...

oi Erika,

depois me conta o resultado desta prova.

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