quarta-feira, 8 de abril de 2015

David Antin


Skypoems, 1987-1988

Imagens publicadas no catálogo da exposição Poetry Plastique, disponível em PDF:
http://issuu.com/amir_brito/docs/poetry_plastique

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Equipe Bruscky & Santiago



“Objeto-em-forma-de-livro”


“De ano para ano, o fluxo de jornais, revistas, folhetos e livros não cessa de aumentar. As bibliotecas têm apenas o tempo de catalogar todas as publicações. As bibliografias ficam tão extensas, que por si só exigem bibliografia... A especialização dos conhecimentos e o aumento dos artigos em todos os campos científicos são as duas pragas do pensamento científico contemporâneo”.
            Lançado em março de 1974, em Recife, no Frigorífico Boa Vista, este é mais um trabalho de Paulo Bruscky e Daniel Santiago, que já há um tempo vêm realizando pesquisa e experiências ligadas aos problemas e caminhos da arte contemporânea.
            São 162 objetos construídos a partir do reaproveitamento de material já impresso e anteriormente veiculado de diversas maneiras. O aproveitamento deste “quase” lixo edito-industrial, cujo objetivo de produção era o de fazer parte num contexto de rápido consumismo, vem marcar claramente o aspecto metacrítico do trabalho em relação às maneiras de produzir/consumir da atual sociedade capitalista de consumo.
            “Passamos alguns meses (de 10/73 a 02/74, mais ou menos) juntando tudo que fosse papel: revistas, mapas, carbonos, papel branco, de presente, papéis impressos em geral etc... e tem textos em várias línguas: português, francês, inglês, japonês, alemão etc... pois fomos em diversos consulados recolher material para a confecção dos livros”. A capa – totalmente branca, excetuando-se um carimbo circular preto onde está o título – forma oposição com as unidades/páginas que, com várias texturas, cores, assuntos e procedências(e resumidas num mesmo suporte) tornam cada virar de página (corte tipográfico) um salto-explosão de informação. “A composição de cada livro foi completamente aleatória, pois espalhamos todas as folhas (12.200 mais ou menos) dentro de uma sala com três ventiladores-ciclone e deixamos os ventiladores ligados por duas horas e depois recolhemos o material (ufa! Levamos dois dias recolhendo as folhas pelo chão) e separamos em pilhas e levamos para colocar as capas.
            Os antigos métodos de produção e consumo do artístico são colocados sob outro ângulo. As etapas anteriores à “obra” mantêm função atuante em relação ao produto final a elaborar. O “objeto-em-forma-de-livro” é entregue em projeto, possibilitando versões, novas leituras e possibilidades de manuseio. A anti-obra, ao tirar o espectador de sua posição contemplativa e de passividade, tornando-o outro autor, assume a mudança do individual para o social.

OUTRA PEDRA DE ROSETTA: objeto-em-forma-de-livro para ser mexido. Obs.: os trechos em negrito e entre aspas foram tirados de material enviado pelos autores. Para se ter uma idéia da situação geral enfrentada pelos produtores que optaram pela vanguarda não-comerciante, Outra Pedra de Rosetta do dia de seu lançamento até abril deste ano vendeu 1 (um) exemplar... Os interessados poderão encontrá-lo na Livro 7, em Recife. (Sérgio Amaral. Revista Vozes, Ano 69, nº 9, novembro de 1975).

Ben Shahn





  


sexta-feira, 20 de março de 2015

Jasper Johns


Cartazes de exposição de Jasper Johns no Whitney Museum of American Art.
Alguns cartazes foram concebidos pelo artista.







sexta-feira, 13 de março de 2015

terça-feira, 10 de março de 2015

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

João Pereira





A FAUUSP no período dos anos 70 aos 90 disponibilizava laboratórios de experimentação vinculados a matérias como gravura, projeto e desenho. Gravura era a disciplina de Renina Katz, que mais que gravura, praticava a democratização da arte. O múltiplo, a inserção de texto à imagem, a divulgação de um pensamento.
Essa foi a semente de um ensino, reforçado pelo livre acesso à oficina gráfica proporcionado pelo técnico João Pereira, coordenador geral do laboratório de artes gráficas da FAUUSP nesse período.
A partir desse início, um grupo criou a publicação Poetação. Eram Rosely Nakagawa, Rubens Matuck, Tania Parma e Milton Hatoum. A publicação era inteiramente feita na FAU, em impressoras offset, com coordenação de textos do Milton, programação visual do Rubens, encadernação manual da Rosely e produção e distribuição da Tania.
A partir das aulas de gravura e tipografia, a idéia cresceu e se transformou na editora de tiragem limitada João Pereira, em justa homenagem ao seu principal colaborador.
Os projetos se expandiram para além das fronteiras da universidade, ainda com a colaboração de Renina Katz, do técnico de impressão tipográfica, Horácio de Paula e do próprio João Pereira e foram baseados nos álbuns de gravuras vistos na coleção de José Mindlin, um dos incentivadores do início da editora.
A possibilidade de realização sempre foi vista com entusiasmo e colaboração voluntária. Juntaram‑se ao grupo original Junosuke Ota, produção geral e Roberto Grassman, impressão‑metal. A litogravura era realizada no ateliê Ymagos e xilogravura no ateliê de Luise Weiss e Feres Khoury. A encadernação era feita sob os cuidados de Fred Lane, com a colaboração de Alex Vallauri. Os lançamentos, organizados pelo livreiro José Homem de Montes na livraria Klaxon. Os textos de apresentação eram feitos por Fernando Mesquita, Leon Kossowitch e Milton Hatoum.
Os colaboradores recebiam um álbum como pagamento e cada um dos artistas editados, doava parte da venda para a realização do próximo álbum.
A criação do logotipo (o pião) e o carimbo da mosca, marcas de identificação da João Pereira, partiram de um grafite a 3 mãos, com desenho do Rubens Matuck, execução do stencil de papel pelo então estreante Carlos Matuck e grande difusão da marca pelos muros da cidade por Alex Vallauri.
As encadernações sempre levaram em conta a escolha de materiais de qualidade. Essa preocupação é justificada pela importância de conservar os exemplares para os colecionadores, como por exemplo, o uso de papéis de algodão ou linho, com PH neutro. Os projetos eram desenvolvidos para adequar cada álbum ao conceito do trabalho. A escolha do papel, a forma de abrir, o tamanho, o peso...
Além de cuidar para que o material se conservasse com o tempo e o manuseio constante, o álbum não era considerado uma embalagem temporária, da quais as gravuras ou fotografias pudessem ser retiradas e enquadradas: ele era visto como uma publicação de pequena tiragem, como concretização da idéia de divulgação de um conjunto de obras, em livros de poucas páginas com originais.
As encadernações foram baseadas nas encadernações e dobraduras japonesas. Elas aproveitam o papel ao máximo, usando dobras simples e quase nenhuma cola. Isso traduzia‑se em economia de papel e facilidade de conservação do material.
Os projetos tipográficos procuravam acompanhar a mancha da imagem, respeitando a textura, cor e processo de impressão. O texto que acompanhava o álbum poderia ser manuscrito, ter um tipo desenhado especialmente, com uma família de letras desenvolvida para aquele álbum. A tipografia fazia a intermediação entre a parte externa e a gravura, conteúdo principal do trabalho. Além de personalizar a apresentação, a tipografia respeitava e compreendia a gravura, incorporando‑se ao conceito do álbum com um todo.
O trabalho da João Pereira confirmou, através de seu trabalho de divulgação neste pequeno mas qualificado circuito, o trabalho de dois artistas que tiveram a gravura como momento importante para nossa geração: Luise Weiss e Feres Khoury. Cresceu ao incorporar o trabalho de artistas consagrados como Aldemir Martins e Renina Katz, que eram ao mesmo tempo referência artística e profissional. O fato de participarem do projeto criou espaço para que a editora se realizasse como atitude artística.
De 1979 a 1992, a João Pereira procurou editar um álbum por ano. Esse período foi suficiente para estabelecer um pensamento, que teve continuidade no procedimento individual, mostrando que a cooperação entre os artistas é possível e leva a resultados positivos.
Almoços e tardes inteiras de ajustes e controle de qualidade envolveram grupos grandes, com pessoas que ainda hoje trabalham com gravura. Artistas conhecidos ou colaboradores anônimos que participavam pelo simples prazer de ver o trabalho se concretizando. Depois de tudo pronto, o álbum recebia o certificado de qualidade, identificado pelo carimbo da mosca.



Nakagawa, Rosely. Edições João Pereira, Tupigrafia 3. São Paulo: Bookmakers, 2006.

Imagens: http://www.graphias.com.br/mostraDetalhes.asp?id=5