quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Tarsila do Amaral



estudos de letras capitulares para a editora Martins. Acervo do IEB-USP

Waltercio Caldas


capa e página dupla do livro Velázquez

"O livro é atacado como um todo: texto e imagens estão fora de foco. Precisão e nitidez estão, no mundo das sensações, associadas à certeza do que vemos, à verdade das coisas. Logo no início, Waltercio nos retira esse chão sobre o qual apoiamos nossas impressões visuais. Mesmo aquele olho acostumado a enxergar bem confronta-se com o mundo nebuloso em que as imagens iluminadas se confundem com suas sombras, os contornos desaparecem e não há mais nenhum resquício das linhas, as cores perdem suas fronteiras e a saturação a que estamos acostumados. Assim, o livro de Waltercio tira os óculos mesmo dos que nunca deles precisaram. O naturalismo e o realismo, capazes de tratar de forma neutra a exterioridade do mundo, que determinaram, para Velázquez, um lugar único no século do Barroco, desaparecem, e como um paradoxo, ausentes, tornam-se presentes como referência. A construção desse cenário gráfico, que trata de modo homogêneo texto e ilustrações, obedece a um teatro. Todas as figuras humanas das ilustrações, uma por uma, foram retiradas. Espaço, objetos e animais foram deixados, tocados apenas pela imprecisão da imagem desfocada."
(Duarte, Paulo Sergio in Waltercio Caldas, Cosac & Naify, São Paulo).


Las Meninas


Vôo noturno


Matisse-talco

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Joan Miró


uma centelha

Esta é a cor dos meus sonhos
Ceci est la couleur de mes rêves

mulher, estrela, flor, caracol
femme, étoile, fleur, escargot

um pássaro persegue uma abelha e a beija
"Un Oiseau poursuit une abeille et la baisse". Paris, January–mid-February 1927
Oil, aqueous medium, and feathers on glue-sized canvas, 83,5 x 102,2 cm.

graphisme

poema, 1968

Uma estrela acaricia o seio de uma negra
A Star Caresses the Breast of a Negress (Painting Poem), 1938
Une Étoile caresse le sein d'une négresse (peinture-poème)
Oil on canvas, 1295 x 1943 mm

Quanto mais a legenda se afasta de seu local de costume, na base ou acima, mais ela incomoda, transforma nossa contemplação.

E se a escrita difere do habitual, se ela for ornada, por exemplo, enquadrada, sublinhada, rasurada, sobretudo se ela deixa a horizontal em que nossa convenção a colocou...

Se Miró tivesse deixado no exterior de sua tapeçaria os quatro termos caracol mulher flor estrela, certamente seríamos convidados a ler e procurar cada um deles em resposta – mesmo sem eles, teríamos encontrado não apenas uma, mas três mulheres; teríamos pensado, em contrapartida, no caracol, na flor e na estrela? Eis que rastejam e babam, desabrocham, perfumam, profetizam, cintilam, feminizam ao apelo dessas palavras, que fazem brilhar e deliciosamente deslizar essas damas -,

mas ele pintou seu título entre as figuras, com uma escrita cursiva, o que implica um certo vigor, a continuidade do traço, ao contrário do que acontece com os tipos de imprensa, faz escorregar, patinar (rangido das antigas plumas sobre as bacias geladas das folhas), inundar untuosamente, percorrer (oscilações do pincel singrando a tela, mar de óleo) a palavra de uma ponta a outra,

mas essas palavras estão unidas por um verdadeiro laço que prende em seus volteios nosso olhar e nos impede de considerar uma sem a outra: é uma pista sobre a qual deslizamos, passando indefinidamente do caracol à estrela e da mulher à flor, laço capturando os atores e levando em seu doce ciclone;

e afim de poder se libertar do movimento da esquerda à direita que parece, no intervalo de uma só linha, confinar nossa escrita, em vez de passar seu traço contínuo, como um amanuense muito preguiçoso para levantar a pluma entre dois nomes, da última letra de palavra precedente à primeira da seguinte, é o “f” de “femme” que o aproxima do “f” de “fleur”, é o último “e” de “étoile”, que o liga ao “e” inicial de “escargot” à esquerda, palavra que normalmente lemos primeiro, e no interior da qual se produz uma nova retrogradação,

não apenas em zig-zag, mas em vai e vem;

cada um dos termos informando espacialmente a região que o envolve, nós temos a tendência a buscar o que designa “escargot” ou “fleur” em suas paragens, enquanto se inscritos fora do quadro, sua influência se repartiria uniformemente sobre toda a superfície, nada nos impediria de interpretar como “escargot” a figura à direita; quanto a “étoile”, particularmente amplo, envolto por outras palavras ou por seus laços, como tem apenas três figuras, nós podemos ver que está ali menos para qualificar que para substituir uma estrela ausente (essa que teríamos procurado em vão, ou identificado por engano, se o título estivesse no exterior), acrescenta pois um quarto elemento necessário, um quarto reino.

(trecho de As Palavras na Pintura, de Michel Butor. Tradução inédita de Amir Brito Cadôr)

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Torres-Garcia


 composicion, 1931

 Composición simétrica universal en blanco y negro, 1931

Construccion en Blanco y Negro, 1938 

 Grafismo simétrico,1933

domingo, 27 de janeiro de 2008

Ian Hamilton Finlay

Acrobats

Um poema-cartaz da Irlanda.

Eugen Gomringer









Três poemas do suíço pioneiro da poesia concreta. Antes do encontro com Décio Pignatari em Ulm, ele chamava seus poemas de "constelações".

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Escritas I

xilogravura e serigrafia

Jean Arp


Composição com a letra "i". A estrutura do quadro parece baseada no formato da letra.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Rébus

Fotografia do grupo surrealista de olhos fechados, confirmando a frase que aparece no centro do quadro, uma pintura de René Magritte, publicado na revista Revolution Surréaliste. No centro da primeira fileira, André Breton.

Christopher Wool



 Lesters Siter (My Brain), 2001

 My Fucking Brain, 2001






Francis Ponge

A procura do título

Página de um manuscrito do poeta francês com nomes possíveis para um de seus livros. Escrevi um ensaio curto a respeito dos títulos, que pode ser lido aqui.

Pierre Albert Birot




Um poema-cartaz de 1928

poéme-pancarte