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A Adoração da Santa Trindade, no museu de Viena, nos permite ver como, em Dürer, o monograma da assinatura é um tipo de emblema. Nessa obra, de fato, todos os santos e santas do céu estão representados com seus emblemas, permitindo identificá-los: Davi com sua harpa, Moisés com as tábuas da Lei, Agnes com o cordeiro, Catarina com a roda de seu suplício; mais abaixo, no primeiro plano, os que esperam em fila o julgamento final para entrar no Paraíso, cada um com a insígnia de sua dignidade: papas, imperadores, cardeais, religiosos, damas, cavaleiros, camponeses e diante de um segundo plano, abaixo, na solidão de uma bela paisagem, percebemos o próprio Dürer, bem pequeno, com um bloco emoldurado sobre o qual está gravada a inscrição:
“Albert Dürer noricus faciebat anno a Virginis partus 1511”, a assinatura está com o famoso monograma: o “D” no interior de um “A”.
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Solidão do signatário e visionário, solidão do pintor como escritor e descritor, toda a tela como interpretação da Escritura.
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