quinta-feira, 19 de junho de 2008

Ardengo Soffici




Exemplos de tipografia futurista, aplicados em livros e também em colagens do artista italiano.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Jacques Louis David



A dedicatória em cartas antigas, a assinatura, a data segundo a era revolucionária, em primeiro plano sobre a caixa de madeira que serve de velador a Marat em sua banheira, sua transformação em estela, toda a tela em monumento.

O assassinado tem nas mãos a carta de Charlotte Corday:

“13 de julho de 1793 – Marie Anne Charlotte Corday ao cidadão Marat – é suficiente que eu seja bem infeliz por ter direito a sua simpatia” - em oposição entre as escritas, as datas.

Dando a impressão de sair da tela, pois a tábua estela parece se confundir com seu plano, acenando à nossa apreciação, o bilhete de escrita convencional bem mais próximo de sua escala, acompanhado de uma rubrica.

Entre as duas dedicatórias que se conjugam no nome de Marat, inscrito tão diferentemente, todo um diálogo: a carta traidora de Charlotte Corday (o enorme aumento que permite uma leitura perfeita é como um grito de indignação: não é mais possível que um estratagema tão baixo continue ignorado)




Marat responde com generosidade; é o assassinado quem agradece, o quadro tira a conclusão.

Marat assassinado é apreendido ao mesmo tempo no ato da leitura e na escritura, ações, funções que são mais fáceis de traduzir pictoricamente que a elocução ou a audição. O leitor pintado, por exemplo os pastores que decifram sobre um túmulo o “et in Arcadia ego” de Poussin, são representados no interior da obra, como se fossem admiradores de uma cena ou paisagem. Mesmo nos dedos que seguem as letras uma a uma, retraçando-as, colocamo-nos em relação ao traçado bem melhor que por um espectador remoto, ou um amante de pintura, examinando algum detalhe à lupa como no Enseigne de Gersaint. O escritor pintado, por exemplo, tal evangelista, ou o secretário do rei Théonat na Lenda de Santa Úrsula, de Carpaccio, figura o pintor, diferentemente com certeza do pintor pintado em seu ateliê, o qual olha sua modelo que vai figurar na tela; é então que o pintor olha sua tela como um primeiro espectador, para afixar a inscrição, em particular o título e a assinatura.




As relações entre sujeito (real ou não), pintor e espectador real se refletem no tema do modelo, do pintor e do espectador, às vezes no mesmo quadro, se reflete em um segundo nível do texto, do escritor e do leitor. No escritor, o pintor já se pinta como espectador, no leitor ele já pinta o espectador como pintor.

David quer que o espectador se identifique com o Marat leitor: não teríamos sido enganados como ele por tal mentira? Quer que nos identifiquemos à Marat escritor, que nós o consideremos tão generoso quanto ele, sob a ameaça de um mesmo golpe de faca. Ele continua.

Quanto a Charlotte Corday, a pintura a eliminou. Ela estava ali entre a leitura e a conclusão da escrita, mas o fato de tornar sua vitima herói por tal monumento pictórico a fez desaparecer para sempre. Mais que um rosto, o assassinato é assinado apenas por algumas linhas falsas.

David faz-nos detectar esta mentira, caso particular de uma mensagem onipresente, ele sabe que nos sentimos na sombra da faca prestes a nos golpear, e oferecendo-se para nos proteger, quer levantar para nós esta ameaça: a faca escondida sob as linhas é desmascarada, encarcerada na pintura; pela sua virtude doravante nenhuma faca deveria poder se manchar de tal sangue.



Todo o amor da verdade, do combate contra a miséria, da liberação verdadeira na atividade de Marat (o sangue que ele fez correr lavado por David em seu próprio sangue, nessa banheira purificadora) deve se consolidar pelo que começa nessa obra. Jamais um ato tão autenticamente revolucionário.

(trecho de As Palavras na Pintura, de Michel Butor, traduzido por Amir Brito Cadôr)

terça-feira, 17 de junho de 2008

Book Works


Eduardo Chillida (1924 - 2002)
'Reflections'
With essays by Carlos Fuentes and John Berger, and photographs by Ferdinando Scianna/Magnum
2002
Published by Ivory Press 2002
Private Collection
Photo © Nigel Young
Courtesy Ivory Press

Facsimiles of drawings and notebook of the artist; letterpress


Cai Guo-Qiang (b. 1957)
'Danger Book: Suicide Fireworks' - 2008
Published by Ivory Press, 2006

Volume of drawings made with flammable and adhesive substances, with gunpowder encased in each of the leaves. One of an edition of 9 unique works published by Ivory Press, London.

The artist's proof of Cai Guo Qiang's 'Danger Book: Suicide Fireworks' was set alight by the artist in November 2007. This one of a series of volumes of drawings made with flammable and adhesive substances, with gunpowder encased in each of the leaves. The embers of the prototype are on display in Blood on Paper.


Daniel Buren (b. 1938)
'Cahier d’un Retour au Pays Natal' by Aimé Césaire
Published by Editions du Solstice, Paris, 2004



Anish Kapoor (b. 1954)
'Wound'
Published by Ivory Press, 2005

Two paper sculptures, each with ‘wound’ cut by laser; facsimile of a drawing book by the artist; white box with red paint.

Obras em exposição no Victoria & Albert Museu, até 26 de junho.

Wim Crouwell








Cartazes tipográficos (alltype poster) é uma das especialidades deste holandês. Os exemplos acima foram feitos para divulgar exposições no Stedelijk Museum de Amsterdam.



sexta-feira, 13 de junho de 2008

Katsuhiro Kinoshita




Cartazes para a Morisawa & Co., 1985.

A reprodução está muito pequena - foram publicados na revista Idea na década de 1980 - mas dá para ver que ele usa ideogramas, fragmentos de letras árabes e caligrafia latina na mesma imagem.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Qandusi

Este manuscrito do século 19 está em exposição na FAAP, em São Paulo, até o dia 22 de junho.

Bismila, em uma caligrafia de al-Qandusi. Outras imagens podem ser vistas em http://www.gardenofletters.com/introduction/

terça-feira, 10 de junho de 2008

Herb Lubalin



Capa e logotipo da revista Avant Garde, criada por Lubalin. A fonte criada a partir deste lettering fez sucesso.

Anúncio do concurso de cartazes antiguerra da revista Avant Garde, desenhado por Herb Lubalin, 1968.

Cartão de visita de Lubalin


Uma boa seleção de trabalhos deste influente tipógrafo pode ser encontrado neste tributo a Herbert Lubalin. Neste blog tem mais informações.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

domingo, 8 de junho de 2008

Peter Blake





'An Alphabet' is made up of 26 silkscreen prints, each signed and numbered by the artist, in an edition of 60 with 5 artist proofs. 10 sets of the prints available individually, the rest as portfolios presented in a buckram covered archive box. The screenprints were proofed and editioned in London by Coriander Studio and are printed on 300gsm Velin Arches paper.
(via Art Rabbit).

O Peter Blake é autor da capa do Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Georges Mathieu

Tibériade, Georges Mathieu, 1967



Cena do filme de Frederic Rossif, realizado em 1971, mostrando o pintor em ação. O sujeito está com 87 anos, e faz há quase 50 anos estas pinturas caligráficas.

René Fauconnet

Um retrato do poeta Paul Valéry, feito em máquina de escrever.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

François Dufrene


Letras compostas com a técnica da descolagem, que consiste em camadas de cartazes rasgados. A montagem permite ler "mot", "nu" e "mental" ou "monumental", uma referencia ao tamanho das letras.

Dimitri Bulatov


terça-feira, 3 de junho de 2008

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Catherine Zask



Platonov, 2002

Allegoria Stanza, 2003

cartaz para a peça de Tchekhov Les trois soeurs (As três irmãs)


Cap-Vert, 2002

Alguns dos cartazes de Catherine Zask são impressos em serigrafia, como este acima. A maioria tem apenas duas cores, e um efeito de sobreposição por transparência.

Catherine Zask (1961) is a French graphic artist and designer. She graduated from the ESAG (Paris) in 1984. Started her career in 1985 as an independent designer, works with cultural institutions and private-enterprises. In 1993 she was a resident at the Academie de France in Rome (Villa Medici) where she created Alfabetempo, a weird typeface. Zask has won several awards, including the Grand Prix of the 20th International Biennial of Graphic Design Brno in 2002. She is a member of the AGI, Alliance Graphique Internationale.

Leia uma entrevista (em inglês) no pixel creation. O vídeo abaixo tem alguns cartazes em animação:

Catherine Zask animation from Katie Gavenda on Vimeo.