terça-feira, 10 de março de 2015

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

João Pereira





A FAUUSP no período dos anos 70 aos 90 disponibilizava laboratórios de experimentação vinculados a matérias como gravura, projeto e desenho. Gravura era a disciplina de Renina Katz, que mais que gravura, praticava a democratização da arte. O múltiplo, a inserção de texto à imagem, a divulgação de um pensamento.
Essa foi a semente de um ensino, reforçado pelo livre acesso à oficina gráfica proporcionado pelo técnico João Pereira, coordenador geral do laboratório de artes gráficas da FAUUSP nesse período.
A partir desse início, um grupo criou a publicação Poetação. Eram Rosely Nakagawa, Rubens Matuck, Tania Parma e Milton Hatoum. A publicação era inteiramente feita na FAU, em impressoras offset, com coordenação de textos do Milton, programação visual do Rubens, encadernação manual da Rosely e produção e distribuição da Tania.
A partir das aulas de gravura e tipografia, a idéia cresceu e se transformou na editora de tiragem limitada João Pereira, em justa homenagem ao seu principal colaborador.
Os projetos se expandiram para além das fronteiras da universidade, ainda com a colaboração de Renina Katz, do técnico de impressão tipográfica, Horácio de Paula e do próprio João Pereira e foram baseados nos álbuns de gravuras vistos na coleção de José Mindlin, um dos incentivadores do início da editora.
A possibilidade de realização sempre foi vista com entusiasmo e colaboração voluntária. Juntaram‑se ao grupo original Junosuke Ota, produção geral e Roberto Grassman, impressão‑metal. A litogravura era realizada no ateliê Ymagos e xilogravura no ateliê de Luise Weiss e Feres Khoury. A encadernação era feita sob os cuidados de Fred Lane, com a colaboração de Alex Vallauri. Os lançamentos, organizados pelo livreiro José Homem de Montes na livraria Klaxon. Os textos de apresentação eram feitos por Fernando Mesquita, Leon Kossowitch e Milton Hatoum.
Os colaboradores recebiam um álbum como pagamento e cada um dos artistas editados, doava parte da venda para a realização do próximo álbum.
A criação do logotipo (o pião) e o carimbo da mosca, marcas de identificação da João Pereira, partiram de um grafite a 3 mãos, com desenho do Rubens Matuck, execução do stencil de papel pelo então estreante Carlos Matuck e grande difusão da marca pelos muros da cidade por Alex Vallauri.
As encadernações sempre levaram em conta a escolha de materiais de qualidade. Essa preocupação é justificada pela importância de conservar os exemplares para os colecionadores, como por exemplo, o uso de papéis de algodão ou linho, com PH neutro. Os projetos eram desenvolvidos para adequar cada álbum ao conceito do trabalho. A escolha do papel, a forma de abrir, o tamanho, o peso...
Além de cuidar para que o material se conservasse com o tempo e o manuseio constante, o álbum não era considerado uma embalagem temporária, da quais as gravuras ou fotografias pudessem ser retiradas e enquadradas: ele era visto como uma publicação de pequena tiragem, como concretização da idéia de divulgação de um conjunto de obras, em livros de poucas páginas com originais.
As encadernações foram baseadas nas encadernações e dobraduras japonesas. Elas aproveitam o papel ao máximo, usando dobras simples e quase nenhuma cola. Isso traduzia‑se em economia de papel e facilidade de conservação do material.
Os projetos tipográficos procuravam acompanhar a mancha da imagem, respeitando a textura, cor e processo de impressão. O texto que acompanhava o álbum poderia ser manuscrito, ter um tipo desenhado especialmente, com uma família de letras desenvolvida para aquele álbum. A tipografia fazia a intermediação entre a parte externa e a gravura, conteúdo principal do trabalho. Além de personalizar a apresentação, a tipografia respeitava e compreendia a gravura, incorporando‑se ao conceito do álbum com um todo.
O trabalho da João Pereira confirmou, através de seu trabalho de divulgação neste pequeno mas qualificado circuito, o trabalho de dois artistas que tiveram a gravura como momento importante para nossa geração: Luise Weiss e Feres Khoury. Cresceu ao incorporar o trabalho de artistas consagrados como Aldemir Martins e Renina Katz, que eram ao mesmo tempo referência artística e profissional. O fato de participarem do projeto criou espaço para que a editora se realizasse como atitude artística.
De 1979 a 1992, a João Pereira procurou editar um álbum por ano. Esse período foi suficiente para estabelecer um pensamento, que teve continuidade no procedimento individual, mostrando que a cooperação entre os artistas é possível e leva a resultados positivos.
Almoços e tardes inteiras de ajustes e controle de qualidade envolveram grupos grandes, com pessoas que ainda hoje trabalham com gravura. Artistas conhecidos ou colaboradores anônimos que participavam pelo simples prazer de ver o trabalho se concretizando. Depois de tudo pronto, o álbum recebia o certificado de qualidade, identificado pelo carimbo da mosca.



Nakagawa, Rosely. Edições João Pereira, Tupigrafia 3. São Paulo: Bookmakers, 2006.

Imagens: http://www.graphias.com.br/mostraDetalhes.asp?id=5

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Luis Camnitzer

This is a mirror. You are a written sentence (1966-1968), by Luis Camnitzer

This is a mirror. You are a written sentence (1966-1968), by Luis Camnitzer

http://language.cont3xt.net/

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Augusto de Campos - Profilogramas


profilograma pound/maiakóvski

geraldo de barros

dp

O profilograma de Décio Pignatari foi composto em comemoração aos 60 anos do poeta. Faz parte do  perfil a citação de autores traduzidos por Décio (Oswald, Dante, Pound), o nome de poemas (LIFE, organismo), a citação de um procedimento de composição da fase heróica (a repetição "e no entanto").

Na geleia geral brasileira alguém tem de exercer as funções de medula e de osso.
Augusto de Campos, por ocasião dos 60 anos de Décio Pignatari (1987), elaborou um profilocaligrama dp que assim se inicia: “a geléia geral/que te deve até o nome/não engoliu o teu/décio pignatari/medula e osso”…! Entre outras tantas expressões cunhadas por Décio Pignatari, não poderia me esquecer de O poeta é o designer da linguagem.  




sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Anne Berning

 
 artbooks (D) . 2006.  15 parts . 240 x 177 cm . oil on canvas
 
 
artbooks (G,H) . 2006 . 17 parts . 250 x 272 cm . oil on canvas
 
 
artbooks (I,J,K) . 2006 . 20 parts . 250 x 250 cm . oil on canvas
 
 
artbooks (V,W,X,Y,Z) . 2007 . 13 parts . 250 x 185 cm . oil on canvas
 

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Andy Warhol

 
capas para o Velvet Underground. A edição original tinha um adesivo removível, para descascar a banana.

 

Rolling Stones, uma de suas melhores capas. O verso mostra o mesmo homem de costas.






Paul Anka










quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Ed Ruscha


Artforum. March, 1964.

[with Ed Ruscha's advertisement for Twentysix Gasoline Stations]


For a period of a couple years in the mid-1960s when Artforum was based in Los Angeles the magazine’s offices were in the same building where Ed Ruscha had his studio. Ruscha, who had trained as a commercial artist, occasionally worked for the magazine doing layout and design (he would appear under the name “Eddie Russia” on the masthead of a few issues). In the early years Artforum was perpetually on the edge of financial insolvency so in the March, 1964 issue Ruscha took advertising space in lieu of payment and used it to promote the first of his celebrated artists’ books, Twentysix Gasoline Stations, which he had published a few months earlier. The ad offers the book for $3 a copy. Upon publication Ruscha had sent a copy for inclusion in the Library of Congress’s collection, but the librarian who reviewed the submission, apparently nonplussed, declined to accept it and the book was returned. Ruscha, who has said that he wants his art to elicit a response of "Huh? Wow!", was delighted at this reaction and so his ad touts the book's "REJECTED" status as a primary selling point.  (http://www.6decadesbooks.com)

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Julio Plaza e Regina Silveira







Técnica do Pincel
Serigrafia a cores e nanquim s/ papel
94,7 x 66,4 cm
Série didática, Edições On/Off
Coleção MAC/USP
Doação dos artistas

José Damasceno



Carimbo (Crítica)

Técnica: madeira e borracha
Dimensões (A x L x P) 16 x 32 x 16 cm
Data 2013
Edição 20

Os Carimbos de José Damasceno são dois múltiplos desenvolvidos pelo artista com exclusividade para a Carbono Galeria. Em um, lê-se “Vale o escrito”, que é o mesmo que vai carimbado no jogo do bicho. Em outro, a palavra “Crítica”, abrindo caminho para reflexões.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Sol LeWitt



"Artists’ books are, like any other medium, a means of conveying art ideas from the artist to the viewer/reader. Unlike most other media they are available to all at a low cost.  They do not need a special place to be seen. They are not valuable except for the ideas they contain.  They contain the material in a sequence which is determined by the artist. (The reader/viewer can read the material in any order but the artist presents it as s/he thinks it should be).  Art shows come and go but books stay around for years.  They are works themselves, not reproductions of works.  Books are the best medium for many artists working today.  The material seen on the walls of galleries in many cases cannot be easily read/seen on walls but can be more easily read at home under less intimidating conditions.  It is the desire of artists that their ideas be understood by as many people as possible.  Books make it easier to accomplish this."

- Sol LeWitt, Art-Rite Magazine #14, January 1976
(via http://artistsbooksandmultiples.blogspot.com.br)