segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Gesto caligráfico

Jackson Pollock

Robert Motherwell, Samurai

Tápies, China

Tápies, cercle roge

Tápies, cadira

Hans Hartung, composition 1949 L06

Henri Michaux, Lithographie, 1967

Na segunda metade do século XX, alguns artistas olharam para o Oriente em busca de um gesto expressivo, caligráfico. Jackson Pollock teve aulas de caligrafia em um mosteiro zen de New York.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Francesco Cangiullo




pinturas futuristas do artista italiano Franceso Cangiullo

Frank O´Hara


Why I'm not a painter


I am not a painter, I am a poet.
Why? I think i would rather be
a painter, but I am not. Well,

for instance, Mike Goldberg
is starting a painting. I drop in.
"Sit down and have a drink" he
says. I drink; we drink. I look
up. "You have SARDINES in it."
"Yes, it needed something there."
"Oh." I go and the days go by
and I drop in again. The painting
is going on, and i go, and the days
go by. I drop in. The painting is
finished. "Where's SARDINES?"
All that's left is just
letters, "It was too much," Mike says.

But me? One day I am thinking of
a color: orange. I write a line
about orange. Pretty soon it is a
whole page of words, not lines.

Then another page. There should be
so much more, not of orange, of
words, of how terrible orange is
and life. days go by. It is even in
prose, I am a real poet. My poem
is finished and i haven't mentioned
orange yet. Its twelve poems, I call
it ORANGES. And one day in a gallery
I see Mike's painting, called SARDINES.


Porque não sou um pintor

Eu não sou um pintor, sou poeta.
Por quê? Acho que eu poderia ser
um pintor, mas não sou. Bem,

por exemplo, Mike Goldberg está
começando uma pintura. Eu chego.
“Sente e tome algo” ele diz.
Eu bebo; nós bebemos. Dou uma olhada
“Você tem SARDINHAS aqui.”
“Sim, precisava pôr algo.”
“Oh.” Eu vou, os dias passam
e eu volto. A pintura vai,
eu vou, e os dias vão.
Eu volto. A pintura está
pronta. “Cadê as SARDINHAS?"
Só restaram algumas letras.
“Estavam sobrando”, diz Mike.

E eu? Um dia estava pensando
em uma cor: laranja. Escrevi uma linha
sobre o laranja. Logo havia uma página
inteira cheia de palavras, não linhas.

Então outra página. Haveria muito mais,
não laranja, mas
palavras, como a vida e o laranja
são terríveis. dias passam. Mesmo
em prosa, sou um bom poeta. Meu poema
está pronto e ainda não mencionei o laranja.
São doze poemas, eu chamo de LARANJAS. E um dia
em uma galeria vejo a pintura de Mike, chamada SARDINHAS.

tradução de Amir Brito Cadôr

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Sharaku

"Matsumoto Yonesaburo - in the Role of Shinobu Disguised as Courtesan Kewaizaka no Shosho,”
o-ban-size, nishiki-e.

René Magritte


Acima, reprodução de "Les mots et les images", publicado em 1929 na revista Revolution Surrealiste. Um fragmento deste texto é citado por Michel Foucault em "Isto não é um cachimbo".

quarta-feira, 30 de julho de 2008

A Linguagem dos Pássaros


Caligrafia em forma de poupa, na capa do livro A Linguagem dos Pássaros, editora Attar.
Turquia, séc. XIX


Bismillah em forma de pássaro

"O remoto rei dos pássaros, o Simorg, deixa cair no centro da China uma pluma
esplêndida. Cansados de sua anarquia, eles vão em busca de seu rei. Sabem que
sua fortaleza está no Káf, a montanha circular que rodeia a Terra. Empreendem a
quase infinita aventura; superam sete vales, ou mares; o nome do penúltimo é
Vertigem; o último se chama Aniquilação. Muitos peregrinos desertam; outros
perecem. Trinta, purificados pelos trabalhos, chegam à montanha do Simorg. Enfim
o contemplam..."

Jorge Luís Borges em A Aproximação a Almotásim, do livro "Ficções"


Paz, caligrafia de Hassan Massoudy

Hassan Musa

Arabalphabêtes, livro de Françoise Joire








Pássaro conhecido como "o falcão branco" levando uma mensagem para o místico Adelqadar Jilali. Caligrafia em relevo, utilizada na edição da editora Attar de "A Linguagem dos Pássaros".

terça-feira, 29 de julho de 2008

Cartazes Tipográficos

Jozef Mroszczak, 1974



Martine Waltzer, 1992


León Ferrari

Escritura, 1983
Pastel sobre aglomerado - 1222 x 138,5 cm
Acervo Pinacoteca do Estado

Este trabalho fez parte da exposição na Pinacoteca do Estado de São Paulo, cujo catálogo ainda está disponível.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

domingo, 27 de julho de 2008

Renina Katz


Álbum de serigrafias de Renina Katz e poemas de Hilda Hilst, publicados por Julio Paccelo.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Paul Béliveau

Pinturas do canadense Paul Beliveau, um colecionador que tem se dedicado a pintar livros.

Les humanités CCLXXXI

Les humanités CCLXXXI

"my interest in books goes beyond their content. I collect them, I pile them up, I photograph them, I paint them, I even invent them... In fact, it is the whole book itself - its essence -, that I love; I consider this object to be exceeding meaningful... I get a great amount of pleasure from occasionally browsing through libraries or bookstores, of touching the worn leather, examining the yellowed pager, the faded covers and the inscriptions and the first few pages... When I hold an old book in my hands, I feel I am holding a piece of history".

Chronique LXII, 2002

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Paul Klee

Secret type-face

 Pastorale (Rhythms)


poem picture script

Willys de Castro


um poema do Willys, que também fez projetos gráficos.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Manoel de Andrade de Figueiredo

Nova escola para aprender a ler, escrever, & contar...
Lisboa Occidental, na Officina de Bernardo da Costa Carvalho. Não datada.

Era brasileiro o maior calígrafo português de seu tempo, um natural da capitania do Espírito Santo. Na prancha reproduzida, percebe-se o exercício de um virtuosismo da linha em movimentos ininterruptos, com arabescos abstratos integrados a figurações fantasiosas, influenciado por Morante. O texto moralizante na parte inferior da página diz: " A pena que ée mais pulida / tanto aumenta à fama a glória / que na pedra endurecida / ou na estampa mais luzida / faz mais terna a memória". A introdução da caligrafia cursiva causava espanto pela velocidade da escrita, que houve calígrafo na Península Ibérica acusado junto ao Santo Ofício, porque só tendo parte com o diabo alguém escreveria com tal rapidez.

(texto de Paulo Herkenhoff, do livro Biblioteca Nacional: a História de uma Coleção)


Um exemplar deste Manual de Caligrafia encontra-se na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.

A Biblioteca Nacional de Portugal digitalizou e oferece para você baixar em várias versões.
Para baixar o manuscrito todo em pdf, clique
aqui, e fotos individuais das páginas estão aqui. (via ieda´s blog)

P.S. A Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro publicou um fac-símile deste livro, considerado o primeiro tratado de caligrafia em língua portuguesa.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Ed Ruscha




Twentysix Gasoline Stations
"The first book came out of a play with words. The title came before I even thought about the pictures. I like the word 'gasoline' and I like the specific quality of 'twenty-six.' If you look at the book you will see how well the typography works - I worked on all that before I took the photographs. Above all, the photographs I use are not 'arty' in any sense of the word. ... One of the purposes of my book has to do with making a mass-produced object. The final product has a very commercial, professional feel to it.... I have eliminated all text from my books -- I want absolutely neutral material. My pictures are not that interesting, nor the subject matter...my book is more like a collection of 'readymades'. Edward Ruscha, Artforum interview, 1965. Lippard, Six Years: The dematerialization of the art object from 1966 to 1972, p.11. "The most renowned series of artist's books in the history of the genre," Parr, The Photobook: A History, Vol. II; Castleman, A Century of Artists Books, p. 167

Brice Marden

cold mountain

Cold Mountain, 1991

zen study

Vista do ateliê de Brice Marden em NY. Reparem na coleção de pincéis de cabo longo (meu sonho de consumo) e no conjunto de galhos utilizados como pincéis na série de pinturas Cold Mountain. A dificuldade em controlar o galho aumenta a indeterminação e o acaso na realização das pinturas.