terça-feira, 25 de março de 2008

El Lissitsky






Poemas de Maiakóvski, composição tipográfica de El Lissitzky. O livro foi feito como um índice telefônico, na aba tem um pequeno ícone que identifica cada poema.

"Em 1922, El Lissitsky, então enviado especial da União Soviética à Europa, na qualidade de uma espécie de embaixador cultural do regime, publica um livro de coletânea dos mais conhecidos poemas de Maiakovski. O livro chamou-se Dlia Golossa (Para a voz) e tinha este título pois nascera das necessidades de divulgação da mensagem revolucionária, através da poesia daquele que era, já então, o maior poeta da Rússia. Na impossibilidade da presença de sua figura impressionante, cuja récita conseguia empolgar pequenas multidões, imaginou-se um livro que pudesse servir de guia de leitura dos poemas, escolhidos segundo as diversas ocasiões e necessidades. Assim, por exemplo, em uma comemoração do dia do trabalho, poder-se-ia declamar Moi Mai (Meu Maio), que fazia menção à data. Ou em uma reunião de um comitê de artes seria possível recorrer à Ordem no. 1 ao Exército das Artes e assim por diante. A questão era elaborar um certo tipo de livro em que os poemas pudessem ser localizados facilmente, na velocidade que a urgência revolucionária poderia requerer. El Lissitsky então raciocinou por similaridade: tomou o modelo do índice da caderneta telefônica e compôs o livro, no qual cada poema é acessado a partir de um ícone com parte do título em legenda. O ícone representa, nesse caso, parte da ilustração que introduz cada poema, ou mais do que isso, quase um indicador - como uma partitura - do modo como aquele poema deveria ser lido. Trechos em vermelho ( a outra cor empregada, além do preto) destacavam passagens que requisitavam maior ênfase, ou refrões.O índice de Lissitsky para o livro de Maiakovski é, na verdade um menu. Nossos dedos "clicam" em cada ícone e somos remetidos às páginas iniciais dos poemas correspondentes."

(trecho de um artigo de Lucio Agra)

segunda-feira, 24 de março de 2008

Nelson Leirner

Questionário para um ‘Livro de Artista’
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P – O que é ‘UM LIVRO DE ARTISTA’?
R – ‘UM LIVRO DE ARTISTA’.
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P – Você considera este seu trabalho ‘UM LIVRO DE ARTISTA’?
R – Não, ele é ‘UM LIVRO DE ARTISTA’.
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P – Então para você ‘UM LIVRO DE ARTISTA’ não é ‘UM LIVRO DE ARTISTA’?
R – Não foi o que eu disse.
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P – Então para você ‘UM LIVRO DE ARTISTA’ é ‘UM LIVRO DE ARTISTA’?
R – Também não foi o que eu disse.
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P – Então para você ‘UM LIVRO DE ARTISTA’ é e não é ‘UM LIVRO DE ARTISTA’?
R – Também não foi o que eu disse.
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P – Então o que foi que você disse?
R – O que você me perguntou?
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P – Perguntei o que é um ‘UM LIVRO DE ARTISTA’?
R - ‘UM LIVRO DE ARTISTA’.
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P – Você considera este seu livro um ‘UM LIVRO DE ARTISTA’?
R – Não, ele é um ‘UM LIVRO DE ARTISTA’.
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P – Então para você ‘UM LIVRO DE ARTISTA’ não é ‘UM LIVRO DE ARTISTA’?
R – Não foi o que eu disse.
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P – Então para você ‘UM LIVRO DE ARTISTA’ é ‘UM LIVRO DE ARTISTA’?
R – Também não foi o que eu disse.
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P – Então para você ‘UM LIVRO DE ARTISTA’ é e não é ‘UM LIVRO DE ARTISTA’?
R – Também não foi o que eu disse.
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P – Então o que foi que você disse?
R – O que você me perguntou?
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P – Perguntei o que é um ‘UM LIVRO DE ARTISTA’?

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Nelson Leirner
São Paulo, 1984

Tide Hellmeister


Os rabiscos caligráficos de frases vazias, as repetições persistentes deste nada dizer são - paradoxalmente - o recado do artista. No não-dito está dito que ele está envolvido inteiramente no seu fazer: corpo, mãos, olfato. Tudo. E fica assim, o não-dito pelo dito. É seu jeito de não se acomodar e de incomodar nosso olhar. Há críticos que acham que esse não-dito pode ser tipo isso ou aquilo, tipo ilógico, ilegível. Mas é simplesmente tipo gráfico.
Claudio Ferlauto
(O tipo da gráfica, Rosari edições)

Charles Demuth


Charles Demuth
Figure Five in Gold, 1928

A pintura foi inspirada por este poema abaixo. Comentários podem ser lidos em inglês aqui

The Great Figure

Among the rain
and lights
I saw the figure 5
in gold
on a red
fire truck
moving
tense
unheeded
to gong clangs
siren howls
and wheels rumbling
through the dark city

William Carlos Williams

quinta-feira, 20 de março de 2008

Damien Hirst







A última ceia

série de 13 serigrafias - 152,5 x 101,5 cm cada.

O nome do artista virou logotipo, imitando o logotipo de laboratórios

quarta-feira, 19 de março de 2008

Christian Robert-Tissot




Alguns trabalhos deste jovem artista italiano. A pintura demanda todo o espaço, e o museu se transforma pelo uso da palavra associada com a cor.

terça-feira, 18 de março de 2008

quase um poema

Quase um poema pronto
desenho (carvão e acrílica sobre papel - 0,90 x 300 cm) 2005

O título foi tirado de um poema do Bukowski; a figura lendo é de uma gravura italiana, que está no acervo da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro; a borboleta 88 é de um selo e a prensa foi o Marcos quem desenhou, estava no Centro de Cultura Patrícia Galvão, em Santos. A mão é minha mesmo, mas foi desenhada com a mão esquerda.

Giacommo Balla

sexta-feira, 14 de março de 2008

quinta-feira, 13 de março de 2008

Jan Lenica

cartaz de circo, especialidade polonesa
Jan Lenica, 1976

quarta-feira, 12 de março de 2008

Rembrandt



(...) impossível não evocar aqui esse outro monograma, tão marcadamente em suspenso, que considera, estupefato com seu brilho, com seu poder, e a liberdade conseguida depois que o doutor Fausto de Rembrandt ousou traçar e pronunciar(...)
(trecho de As palavras na pintura, de Michel Butor. tradução de Amir Brito Cadôr)

terça-feira, 11 de março de 2008

etruscos

exemplo de inscrição em pedra. A escrita tinha um significado especial para este povo, que preenchia com textos objetos do cotidiano, como espelhos.

A escrita não é unidirecional, ou seja, pode ser lida em mais de um sentido, de modo a facilitar a integração de texto e imagem.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Iliazd



trabalhos do poeta e tipógrafo russo Ilia Zdanevic, também conhecido como Iliazd

sexta-feira, 7 de março de 2008

Buzz Spector


Livro rasgado, cada folha um pouco menor do que a precedente, de modo a mostrar um pouco do que está na folha de baixo. É um livro-texto que torna a leitura impossível. No site do artista tem outros exemplos de livros alterados (altered books) e alguns ensaios.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Eerdekens




Aqui tem mais trabalhos deste artista que utiliza materiais inusitados para escrever palavras com a sombra projetada dos objetos.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Kazuaki Tanahashi


O calígrafo japonês tem realizado demonstrações de shodô nos Estados Unidos desde a década de 70.

Foi publicada no ano passado a tradução de Brushmind (O Coração do Pincel), aforismos a respeito da caligrafia, ilustrado com desenhos de um só traço.

terça-feira, 4 de março de 2008

Objeto Quase

Objeto quase é o nome de um livro em que o formato reforça o sentido das imagens nele contidas. Formado por uma única folha de papel dobrada três vezes, o mesmo desenho é repetido em cada uma das 8 páginas, cada vez realizado com um pincel diferente. A mão acompanha o formato da página para desenhar um círculo (ou quase um círculo, o que justifica o título). A repetição neste caso funciona como uma série de aproximações para atingir o círculo perfeito.

O círculo é uma das figuras geométricas que fazem parte do vocabulário de formas básicas utilizadas para o desenho de letras.

Para Octavio Paz, a prosa, o relato, o discurso e a demonstração são lineares, têm um começo e um fim. A poesia, assim como a canção, o mito e outras expressões poéticas, sempre é auto-suficiente, o que corresponde à figura de um círculo, um desenho que remete a si mesmo e nunca termina.

Este tipo de desenho remete aos círculos desenhados pelos monges budistas Zen com um único traço. É realizado como um exercício de concentração, em que a unidade do pincel e da tinta se realiza de uma forma absoluta. A linha feita com o pincel ganha espessura, é figura e contorno ao mesmo tempo. O gesto do calígrafo estabelece o limite entre o dentro e o fora. O espaço branco que fica no interior do círculo faz parte do desenho, tanto quanto a tinta preta. Entre os orientais, a perfeição do círculo branco merece a admiração por colocar em evidência o vazio.

Para os calígrafos do Japão, o desenho de um círculo feito à mão sem o auxílio de nenhum instrumento é um exemplo de destreza e precisão – nada falta e nada excede.

A estrutura do livro repete o desenho de um círculo. Qualquer uma das páginas pode ser o começo ou o fim, dependendo da maneira como o livro é dobrado. Não existe diferenciação entre a capa e as páginas internas, a forma é o conteúdo.


(trecho da dissertação de mestrado Imagens Escritas, defendida na Unicamp em maio de 2007)

Hugo Duchateau


Estes pincéis adaptados entram para aquela categoria de objetos improváveis, do Jacques Carelman.

segunda-feira, 3 de março de 2008

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

C.S. Peirce

O que parece a abertura de um salmo ("Estranhas coisas se murmuram de ti, Sião, cidade de nossa rainha"), e abaixo um comentário não-verbal ao poema O Corvo de Poe.


(trabalhos reproduzidos em Semiótica e Literatura, do Décio Pignatari)

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

John Baldessari


Estes dois quadros são da década de 1960. Gosto da ironia do artista nestas suas telas. Um pintor de letreiros foi contratado para fazer estas pinturas.

Nesta outra série, o título não explica nada, e algumas vezes ajuda a confundir.





quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Oded Ezer



Trabalhos do israelense Oded Ezer. Ele fez uns bichos tipográficos que são curiosos, para dizer o mínimo.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Hogarth



Este par de gravuras tem o sugestivo título "antes" e "depois"