sexta-feira, 18 de abril de 2008

Rembrandt

Le festin de Balthazar, 1635

Ulises Carrión

A nova arte de fazer livros (trecho)

A LEITURA

Para ler a velha arte, basta conhecer o alfabeto.

Para ler a nova arte devemos apreender o livro como uma estrutura, identificar seus elementos e compreender sua função.

Podemos ler a velha arte acreditando que a entendemos, e podemos estar errados.

Tal engano é impossível na nova arte. Você só pode ler se você compreender.

Na velha arte todos os livros são lidos da mesma maneira.

Na nova arte cada livro requer uma leitura diferente.

Na velha arte, ler a última página leva tanto tempo quanto ler a primeira.

Na nova arte o ritmo da leitura muda, aumenta, acelera.

Para compreender e apreciar um livro da velha arte é necessário lê-lo completamente. Na nova arte você NÃO precisa ler o livro inteiro.

A leitura pode parar no momento em que você compreendeu a estrutura total do livro.

A nova arte torna possível uma leitura mais rápida do que os métodos de leitura dinâmica.

Existem métodos de leitura dinâmica porque os métodos de escrita são demasiado lentos.

Ler um livro é perceber sequencialmente sua estrutura.

A velha arte ignora a leitura.

A nova arte cria condições específicas de leitura.

O mais longe que a velha arte chegou, foi levar em consideração seus leitores, o que já foi longe demais.

A nova arte não discrimina leitores; não se dirige aos viciados em leitura nem tenta roubar o público da televisão.

Para poder ler a nova arte, e para compreendê-la, você não precisa gastar cinco anos em uma faculdade de letras.

Para ser apreciados, os livros da nova arte não necessitam de cumplicidade sentimental e/ou intelectual dos leitores em matéria de amor, política, psicologia, geografia, etc.

A nova arte apela para a habilidade que cada homem possui para compreender e criar signos e sistemas de signos.



(traduzido por Amir Brito)

El Arte Nuevo de Hacer Libros, do artista e poeta mexicano Ulises Carrión foi publicado na revista Plural em fevereiro de 1975. The New Art of Making Books foi publicado em Kontexts no. 6-7, 1975, e impresso pelo Center for Book Arts nesse mesmo ano, a pedido do autor e distribuído gratuitamente para os membros do Centro. Ulises iniciou a livraria Other Books and So em Amsterdam em 1975. Ele faleceu em 1989. Este ensaio também foi publicado em Joan Lyons, Ed. ARTISTS' BOOKS: A Critical Anthology And Sourcebook, Visual Studies Workshop, 1985, 1993, e em Guy Schraenen: Ulises Carrión. We have won! Haven't we?, Amsterdam, 1992. O texto em inglês está disponível em www.centerforbookarts.org.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Mutus Liber

Escrevi um artigo a respeito desta imagem, publicado na segunda edição dos cadernos de [gravura].

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Bernard Heidsieck


Mais conhecido por seus trabalhos em poesia sonora, o trabalho acima foi publicado no catálogo Poesure et peintrie. Este ano o poeta Bernard Heidsieck faz 80 anos.

terça-feira, 15 de abril de 2008

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Allen Ruppersberg

The New Five Foot Shelf, 2003
« In 2001, we decided to publish the complete text of The New Five Foot Shelf in one single volume, in softcover, to make it affordable for most people. We gathered the manual of the 1910’s The Five Foot Shelf Of Books and the five chapters together. With kind support of the International Centre of Graphic Arts of Ljubljana, we published in June 2003 The New Five Foot Shelf of Books, presented during the Ljubljana Biennale. The New Five Foot Shelf of Books includes a great deal of biographical references, such as Duchamp’s or Broodthaers’, that we find in the The Three Marcels chapter. Those references do not belong to public property yet. In the chapter entitled Once upon a time when books were famous, Allen Ruppersberg also uses a lot of authors’ quotes. It became quickly obvious that the commercialization of this book would be impossible without paying rights of mentioned authors. So we decided to publish this book NOT FOR SALE, getting round the law, making the book « out-law », « offside »… and establishing new rules… »
Michèle Didier

The New Five Foot Shelf of Books by Allen Ruppersberg has been in the center of several art performances, during which the artist has offered himself one copy of the book and dedicated it to the persons in the audience.
The book measures 23,50 cm x 16,50 cm by 5,50 cm
• Contains 21 printed 32-page signatures, a total of 672 pages
• Paper : Offset Munken 90 g Main 1.8
• The signatures are stitched with coton thread
• Quadri cover 240 g
• Printed and bound by Herissey, Evreux

Produced in 2003 by Editions Micheline Szwajcer & Michèle Didier.
Co-published in 2003 by Editions Micheline Szwajcer & Michèle Didier and International
Center of Graphic Art of Ljubljana.

José Lino Grünewald



Deste poeta, destaco um soneto, publicado em "Escreviver":

Difícil responder a tal pergunta

A pergunta que o tempo eternizou

Pois se alguém com alguém sempre ficou

São só dois corpos vãos que a vida ajunta.

O que é sonhar, cismar ou divagar

Definir o que é flama, fé ou flor

São flácidas palavras sem valor

Os fáceis pensamentos cor do ar.

Restaria esta inútil melopéia

De quem burila o texto e logo ri

Do verbo que se quer visão e idéia.

Mas neste espelho me olho e vejo a ti

E ganho o conhecer renovador.

A resposta é você. O que é o amor?

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Pierre Soulages



composition abstraite, 1948

Soulages fez estes pincéis para poder realizar algumas de suas telas. O artista está com 89 anos e ainda na ativa. Aqui tem um texto a respeito dele.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Descrição do Egito

Escriba
Ao lado da estátua de um escriba egípcio, um relevo mostra um estojo como este acima, contendo o saco com a tinta, o junco usado para escrever e o tinteiro, um amarrado no outro. O desenho dos instrumentos de escrita forma o hieróglifo da palavra "escrita".


selo em forma de escaravelho

Um site com as imagens e textos dos 11 volumes da "Descrição do Egito", publicado em 1798. Obra encomendada por Napoleão Bonaparte, registra todos os seres viventes, hábitos, costumes, arquitetura, objetos, tudo que existe no Egito, descrito e desenhado.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Lotus Lobo




Maculatura, 1970
150 x 170 cm
Da estamparia litográfica sobre folha de flanders, via Germina Literatura




Litogravura a partir de rótulos comerciais, da artista mineira Lotus Lobo.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Caderno de Viagem


Os desenhos de cenas, pessoas e lugares visitados, assim como as descrições verbais de situações, usos e costumes, tão comuns em relatos de viagem, são substituídos por diversos tipos de escrita.

A caligrafia como registro de um percurso. Os desenhos caligráficos preenchem um caderno de páginas sem pautas, em que as linhas imitam o movimento da escrita, como se o texto fosse escrito em uma língua estrangeira.

No mesmo volume, convivem a escrita árabe, hebraica, chinesa, japonesa, coreana, devanagari - utilizada em textos sagrados escritos em sânscrito - e uma escrita tuaregue do norte da África, além de páginas copiadas de manuscritos medievais com o alfabeto latino no estilo carolíngio e o alfabeto cherokee dos índios norte-americanos.

Em páginas alternadas, escritas inventadas e outras existentes, algumas extintas ou desconhecidas pela maioria das pessoas, de modo a dificultar a distinção entre um e outro tipo. Por comparação, a imitação da escrita foi o suficiente para sugerir a existência de um texto escrito onde havia apenas desenhos.

As linhas contínuas, sinuosas, são distribuídas pela página de modo que o conjunto de sinais, em fileiras ou colunas, também forme um desenho. O livro remete às miniaturas medievais, onde a cor serve para integrar imagem e texto no espaço da página. A caligrafia é um meio para chegar ao livro.

Outras páginas deste caderno podem ser vistas aqui

segunda-feira, 7 de abril de 2008

André Masson

Quimera



Le Charmeur, 1958
nanquim, 65 x 50,5 cm



sexta-feira, 4 de abril de 2008

Sonia Delaunay



A prosa do transiberiano, de Blaise Cendrars e Sonia Delaunay, pode ser visto no acervo do MoMA.

O formato do livro é incomum. Consiste em quatro folhas agrupadas e dobradas ao meio, verticalmente e depois horizontalmente. Tem dois metros de comprimento e 36 cm de largura. São 445 linhas de texto impressas em mais de dez tipos diferentes de letras, de cores e tamanhos diversos no lado direito da folha, com a pintura de Delaunay à esquerda e também invadindo os espaços em branco entre as linhas do texto.

O livro foi concebido para uma tiragem de 150 exemplares, de modo que o total de cópias completamente abertas tivesse a mesma altura da torre Eiffel, símbolo da modernidade.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Rene Magritte

Ceci N´est Pas Une Pipe, 1966

Les Deux Mysteres

Trahison des Images,1928

La trahison des images


This is not a pipe

segunda-feira, 31 de março de 2008

Raymond Pettibon



Este artista fez no final dos anos 70 e meados dos anos 80 cartazes de shows de bandas punk, como o Black Flag, e também capas de discos. Pettibon é irmão do guitarrista Greg Ginn e seus primeiros zines eram distribuídos pelo selo SST, criado por Ginn para distribuir os discos do Black Flag.

Um dos seus trabalhos mais conhecidos é a capa do disco Goo, do Sonic Youth.




sábado, 29 de março de 2008

Jan Olof Mallander


Esculturas de papel, 1972-1974
Os trabalhos deste sueco, intervenções sobre cartões postais, fazem parte do acervo do MAC/USP. Na carta que acompanhou o envio da Escultura de Papel ao MAC-USP, o artista escreveu:
A idéia é simples: levar a poesia de volta para a letra isolada; e colocar essa letra no contexto ecológico e não apenas estético (...). Ao mesmo tempo, o projeto é claramente voltado contra o construtivismo equivocado que só consegue atribuir valor a monumentos de bronze colossais. As Esculturas de Papel são tão baratas, que qualquer um pode jogá-las fora depois...
(texto do livro de Cristina Freire, Poéticas do Processo: Arte Conceitual no Museu)

sexta-feira, 28 de março de 2008

Jigme Douche




Raro quem tem todas as qualidades

Raro quem não tem nenhuma

Sakya Pandita, séc. 13


traduzi o texto acima do livro "Comme un lotus" de Jigme Douche.