sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Amélia Toledo

Rosa Contemporânea , 1965
Papel de arroz recortado, 24 x 24 cm
"Rosa Contemporânea - para Fernando Lemos (1965) explora as possibilidades temporais oferecidas por um objeto que, como uma música, só pode ser explorado na sua totalidade se o for sequencialmente. O quadrado, de 24x24 cm, de papel rugoso cor-de-rosa é a embalagem dentro da qual se encontram as páginas, pétalas secas de papel de arroz branco, todas elas com partes de um mesmo círculo recortadas em seu centro. As camadas de papel, que ao início formam a moldura espêssa e branca desse círculo rosa cavado em seu interior, gradativamente abandonam sua candidez em direção ao rosa, na razão do ritmo compassado com que são folheadas. A pressão dos nossos dedos, pegando uma a uma as folhas delicadas, levando-as desajeitadamente, porque se trata de planos diáfanos e em parte vazios, de um lado para o outro, alisando-as em seguida para que não se dobrem e não sejam amassadas pelas folhas subsequentes, vai fazendo com que tomemos consciência dos veios que atravessam as lâminas translúcidas, sua irregularidade, suas fibras, nervos estruturais que garantem a resistência de cada página."

Agnaldo Farias, em "Amélia Toledo: as naturezas do artifício", 2004. via cadernos afetivos

Gênesis, 1959
Livro-objeto em papel de seda e papel de arroz, 19 x 19 cm.

Divino Maravilhoso - para Caetano Veloso, 1971
Livro objeto em papel e acetato com fotomontagens, 35 x 35 cm.

Livro da Construção, 1959
Papel cartão recortado e papel se seda, 22 x 20 cm.

Regina Silveira








Capa e algumas páginas do livro Anamorfa, de 1979
offset sobre papel Couché, formato de 14,5 x 21,5 cm, com tiragem de 100 exemplares.

Aloísio Magalhães


A informação esquartejada

Um fragmento do livro a respeito da obra de Aloisio pode ser acessado aqui

Aloísio Magalhães


Improvisação Gráfica
edição de O Gráfico AmadorRecife, déc. 50

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

escritas



Mel Bochner

self portrait

Language is not transparent, 1970

Remarks on color

Josua Reichert

O suíço apresentou este trabalho na Bienal de São Paulo em 1967. Formado por várias placas de madeira, faz parte do álbum "Russian Initialenbuch".

Abaixo, trecho do texto no catálogo da Bienal:
A obra principal de 1966 é o “Álbum de Ini­ciais Russas”, uma série de 24 fôlhas, basea­das no alfabeto russo (catálogo no 17). Dis­tinguem‑se das obras anteriores por uma disciplina ainda maior e pela desistência quase completa de empregar letras. São impressas quase exclusivamente com os re­vessos planos e rectangulares das letras de madeira. Composições elementares resultam de traves, rectângulos e quadrados colo­ridos. A maior disciplina formal vai acom­panhada de um trato mais livre do tema. Os caracteres cirílicos formam apenas o esqueleto da figura artística, dêles deduzida, à qual comunicam simultaneamente algo de sacral e fantástico, vivo nas letras orientais. Da ordem firme formal irradia uma expres­são viva, que se baseia exclusivamente na própria invenção. Com as suas formas cla­ras e vivamente coloridas, encontram‑se estas composições como exemplos maduros e de grande maestria no meio de uma das correntes mais actuais da arte contemporâ­nea. Mesmo assim fica completamente con­servado o elemento pessoal ao qual o pró­prio Reichert deu o título mais adequado: poesia tipográfica.
Herbert Pée

Schwitters

Catherine Zask

Catherine Zask :
"Jusque-là j'ai coupé en quatre pour les quatre couches, les quatre lettres de Rome. Ce qui m'intéresse en fait, ce sont les temps du tracé. Donc pour un R, trois temps. Un trait, une boucle, un trait. Je prends un R. Je tranche les trois temps. Je les colle sur trois feuilles. J'obtiens enfin une tension, quelque chose qui me fait penser à une respiration. Trois morceaux qui visiblement sont liés, et dont la fraction produit comme une respiration entrecoupée. Trancher les temps au cutter est radical."

Catherine Zask :
"D'autres R, écrits sur une seule couche et coupés en quatre, sont utilisés pour recomposer des signes. Mais, d'une part, je ne parviens pas à trouver un sens à ce que je fais, et d'autre part, je suis exaspérée par la séduction facile des bavures de l'encre… En même temps, l'encre est très pratique parce que ça va très vite."

Villeglé

Boulevard St. Germain

Descolagem, técnica inventada por Villeglé. O trabalho recebe o nome da rua onde se encontravam os cartazes que foram arrancados/rasgados para fazer a composição.

Jacques Carelman


Gare Saint Lazare

O Jacques Carelman é o cara do Catalogue d´objets introuvables, publicado aqui no Brasil como Catálogo de Objetos Inviáveis. Esta composição ilustra o livro de Raymond Queneau, Exercícios de Estilo.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Joan Brossa




contos, 1986
poema-objeto




Burocracia.
poema-objeto

Ana Bella Geiger


Sobre a Arte, 1977
fotocópia sobre papel

Obra feita a partir de um anúncio da década de 50.
(quem consultar o livro 100 anos de propaganda no Brasil vai encontrar o anúncio lá)

León Ferrari


poema visual do argentino León Ferrari. Escrito em braile, a frase "ama o próximo como a ti mesmo" sobre xilogravura japonesa do séc. XVIII


Pedro Xisto

Zen, 1966

Este logograma de pedro Xisto apresenta uma simetria bilateral, que remete a um tipo de construção arquitetônica japonesa. No centro, as linhas formam o ideograma "sol". Um olhar menos atento demora para identificar o texto e vê apenas o desenho geométrico.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Pierre Albert Birot


torre feita com tipos de madeira

Antonio Gomes

poema de amor


Invasão

poema objeto

Christian Morgenstern


canção noturna dos peixes

Dan Graham


Homes for America

"Homes for América" (1966) é uma espécie de ensaio formado por imagens e textos publicados na revista "Arts". É composto por 34 blocos de tamanho similar que contêm trechos de anúncios imobiliários, listas de preferências de cores de tinta para fachadas e fotos do exterior e do interior de casa típicas da arquitetura pós Segunda Guerra. (via Bienal SP)

Artur Barrio

LIVRO DE CARNE
Paris, 1979

A leitura desse livro se fez a partir do corte / ação da faca do açougueiro na carne, as fibras seccionadas, as fissuras etc. etc., assim como as tonalidades e colorações diferentes. Para terminar é preciso não esquecer de falar das temperaturas, do contato sensorial (dos dedos), dos problemas sociais etc e etc ..................................................................................
.................................................. boa leitura.





quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Lygia Pape

página do Livro da Criação

Ele foi criado em 1959, durante o movimento neoconcreto. Eu experimentei todo tipo de linguagem: trabalhei com poemas, esculturas, pinturas, desenhos, fiz um livro com gravuras e poemas etc. Desenvolvendo essas idéias inventei o livro da criação, onde eu narrava a criação do mundo de forma não-verbal, sem palavras: só formas e cores. O livro é formado por unidades de 30 x 30 cm, e todas elas partem do plano para o espaço, quer dizer, à medida que se manuseia o livro você vai armando as estruturas e a "leitura" se faz através das formas coloridas. E é bom que se diga que logo de plano há duas leituras plausíveis: pra mim ele é o livro da criação do mundo, mas para outras pessoas pode ser o livro da "criação". Através de suas próprias vivências, um processo de estrutura aberta onde cada estrutura armada desencadeia uma "leitura" própria. Esse livro foi uma invenção original, onde a linguagem não-verbal determinava uma narrativa verbal. Ele contava uma estória, que emergia de sua própria estrutura, naturalmente.

depoimento de Lygia Pape, no livro editado pela Funarte em 1983.

Bayeux



A Tapeçaria de Bayeux, conhecida por “tapeçaria da rainha Matilde”, é um bordado com 70,34 metros de comprimento, representando em 58 cenas a conquista da Inglaterra pelos normandos. Foi concluída no ano 1066.

Bruegel

Os provérbios

Um trecho da Bíblia muito lido na época de Bruegel era o Eclesiastes, um dos livros do Velho Testamento que contém a frase "o número de tolos é infinito". Com este quadro, Bruegel teve a intenção de entreter e instruir. Fez isso com admirável sucesso, criando uma janela para o mundo, tanto no sentido visual como moral. A obra de Bruegel resistiu ao tempo porque cada geração tem a sensação de que ela se refere às questões e à realidade do seu próprio tempo.
Eis alguns provérbios que podemos localizar no quadro:

Vivendo debaixo da vassoura. Um casal mora junto sem estar casado ‑ um estado de pecado que se chamava "viver debaixo da vassoura”.

Um malandro com chapéu colorido de pompom branco está roubando nas cartas. Sua atitude para com o mundo é representada graficamente: ele defeca no globo abaixo da janela. Dentro da taverna, dois tolos "levam um ao outro pelo nariz”: um ignorante tenta instruir outro ignorante
Armado até os dentes "Colocar o guizo no pescoço do gato" era a tarefa perigosa que um intrépido rato tentou realizar, num conto de fadas flamengo. Este homem está sendo supercauteloso; está literalmente 'armado até os dentes", para proteger-se da ira de um gato velho e manso.
Assando arenques Este tolo perde tempo "assando arenques para comer as ovas". Ao seu lado, outro tolo literalmente "cai entre dois banquinhos", numa vã tentativa de sentar‑se em ambos.
Fogo e água A mulher carrega fogo em uma das mãos e água na outra: ela não consegue formar uma opinião. Ao seu lado, o porco que arranca a rolha do barril representa a ganância.
O hipócrita O pilar representa a Igreja; o homem que abraça e ao mesmo tempo morde o pilar é um hipócrita. Ele mantém seu ato em segredo, "debaixo do chapéu", que está colocado em cima do pilar.
A mulher que amarra um demônio numa almofada representa a esposa tirana. Bruegel dedicou um quadro a esse tema, conhecido como Dulle Griet (Margarida Louca). Os provérbios daquela época diziam que uma mulher assim era capaz de visitar o inferno sem nada sofrer.
Batendo a cabeça na parede. Muitos personagens, como este tolo que bate a cabeça na parede, perdem tempo em trabalhos vãos. Outros atos semelhantes de estupidez aparecem no quadro: no rio, um tolo "pesca atrás da rede", enquanto outro"nada contra a corrente", e à direita, embaixo, um homem tenta "abrir a boca mais que um fomo".
Muito trabalho e pouca lã, disse o tolo, e tosquiou o porco”. Atrás dele, duas mulheres espalham boatos maldosos.
Tapar o buraco depois que se afogou é tomar precaução depois que um desastre acontece.

domingo, 4 de novembro de 2007

Raoul Hausman






Estes trabalhos remetem às onomatopéias e pesquisas com poesia sonora, pela repetição de sons sem sentido.

Paul Rand


IBM, 1982
an Eye - for perception, insight, vision
a Bee - for industriousness, dedication, perseverance
an "M" - for motivation, merit, moral strength
A somewhat unusual perspective of the familiar IBM logotype, and a light reminder of the fundamental qualities that have come to characterize the outstanding men and women who have built, and who continue to build, the success of the IBM company.
(texto em branco, escrito com tipos miúdos, na parte inferior do cartaz)

Stendhal

a long sous p, g grand a petit

como dizia o Quintana, devora-me ou te decifro
(é preciso conhecer a língua francesa para ler corretamente esta indicação em uma tabuleta de uma taverna, que em português seria: vamos comer, tenho grande apetite)