domingo, 4 de novembro de 2007

Raoul Hausman






Estes trabalhos remetem às onomatopéias e pesquisas com poesia sonora, pela repetição de sons sem sentido.

Paul Rand


IBM, 1982
an Eye - for perception, insight, vision
a Bee - for industriousness, dedication, perseverance
an "M" - for motivation, merit, moral strength
A somewhat unusual perspective of the familiar IBM logotype, and a light reminder of the fundamental qualities that have come to characterize the outstanding men and women who have built, and who continue to build, the success of the IBM company.
(texto em branco, escrito com tipos miúdos, na parte inferior do cartaz)

Stendhal

a long sous p, g grand a petit

como dizia o Quintana, devora-me ou te decifro
(é preciso conhecer a língua francesa para ler corretamente esta indicação em uma tabuleta de uma taverna, que em português seria: vamos comer, tenho grande apetite)

Regina Silveira

Rébus para Duchamp, 1977
offset, 66 x 48 cm
"Caro Duchamp, a arte é enigma, jogo ou paródia?"
Da série "Jogos de Arte", esta carta enigmática para Marcel Duchamp cita diversas obras do artista francês, começando pelo auto-retrato na primeira linha, o "ar de Paris" na segunda linha, e a roda de bicicleta na última linha.

João Cabral de Melo Neto

O SIM CONTRA O SIM (excertos)

Miró sentia a mão direita
demasiado sábia
e que de saber tanto
já não podia inventar nada.

Quis então que desaprendesse
o muito que aprendera,
a fim de reencontrar
a linha ainda fresca da esquerda.

Pois que ela não pôde,
ele pôs-se a desenhar com esta
até que, se operando,
no braço direito ele a enxerta.

A esquerda (se não se é canhoto)
é mão sem habilidade:
reaprende a cada linha,
cada instante, a recomeçar‑se.

Mondrian, também, da mão direita
andava desgostado;
não por ser ela sábia:
porque, sendo sábia, era fácil.

Assim, não a trocou de braço:
queria-a mais honesta
e por isso enxertou
outras mais sábias dentro dela.

Fez-se enxertar réguas, esquadros
e outros utensílios
para obrigar a mão
a abandonar todo improviso.

Assim foi que ele, à mão direita,
impôs tal disciplina:
fazer o que sabia
como se o aprendesse ainda.

[...]

Juan Gris levava uma luneta
por debaixo do ôlho:
uma lente de alcance
que usava porém do lado outro.

As lentes foram construídas
para aproximar as coisas,
mas a dêle as recuava
à altura de um avião que vôa.

Na lente avião, sobrevoava
o atelier, a mesa,
organizando as frutas
irreconciliáveis na fruteira.

Da lente avião é que podia
pintar sua natureza:
com o azul da distância
que a faz mais simples e coesa.

Jean Dubuffet, se usa luneta
é do lado correto;
mas não com o fim vulgar
com que se utiliza o aparêlho.

Não intenta aproximar o longe
mas o que está próximo,
fazendo com a luneta,
o que se faz com o microscópio.

E quando aproximou o próximo
até tacto fazê-lo,
faz dela estetoscópio
e apalpa tudo com o olhar dedo.

Com essa luneta feita dedo
procede à auscultação
das peles mais inertes:
que depois pinta em ebulição.

João Cabral de Melo Neto, do livro Serial (1959-1961)

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Raymundo Colares

Gibi


“Seus quadros formam sempre um losango na parede (...) não têm centro, logo não tem começo nem fim. Os seus gibis, que remetem ao “Livro da Criação” de Lygia Pape, são obras em processo, as imagens se fazem, ou se desfazem a medida que as folhas vão sendo movimentadas. Virtualidade pura. Nos seus gibis reviveu a assimetria de Mondrian, recriou a magia da noite e dos arranha-céus e Broadway Boogie-Woogie ou demonstrou o teorema cromático da “homenagem ao quadrado” de Albers. Estes gibis constituem um dos momentos mais fascinantes da arte brasileira contemporânea” Frederico Morais, O Globo, 1983.


aqui tem um vídeo mostrando algumas páginas de um Gibi

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Robert Rauschenberg


Convidado a participar de uma exposição na Galeria Iris Clert em 1961, em que os artistas deveriam fazer um retrato de Iris Clert, dona da galeria de Paris, o artista americano enviou no lugar da obra este telegrama, com a frase "Este é um retrato de Iris Clert se eu disser que é".

Richard Serra

Verb list, 1967-68
rolar, vincar, dobrar, armazenar, curvar, encurtar, torcer, trançar, manchar, esmigalhar, aplainar, rasgar, lascar, partir, cortar, separar, soltar
A escultura se resumia a dois verbos: talhar e modelar.

Dotremont










Yves Klein


Anthropometrie, 1960

Gutai

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Henri Michaux

Michaux em frente ao estudio, fotografia de Maurice Forcade, 1950.

Keith Arnatt


Trouser-Word Piece, 1972/89

Juan Perez Agirregoikoa

Simon Evans







Gosto do jeito como ele organiza planilhas e diagramas, mapas e outros tipos de informação visual. O acabamento é bem tosco, tem um monte de durex colando uma folha na outra. Na Bienal de São Paulo, dava p/ ver os furos no papel, nos cantos dos trabalhos, sinal de que foram expostos sem moldura por algum tempo.

Joseph Kosuth

Four Colors Four Words


Five Words in Yellow Neon

Five Words in Green Neon

Five Words in Red Neon

Five Words in White Neon

George Maciunas


Maciunas (1931-1978) teve uma exposição em abril de 2007


Name Cards of Fluxus Artists, c. 1966

Maciunas trabalhou como designer. Sua experiência com tipografia e design gráfico fica evidente nestes artist name tags, com o nome de integrantes do Fluxus. O cartão com o nome Yoko Ono tem as letras sobrepostas, um círculo tomou o lugar da letra "o". Um tipo de madeira do século XIX foi usado para formar a palavra "old" no meio do nome Claes Oldenburg.

John Cage

  Not Wanting To Say Anything About Marcel, III, 1969

 Not Wanting To Say Anything About Marcel, I, 1969

  Not Wanting To Say Anything About Marcel, II, 1969

 Not Wanting To Say Anything About Marcel, I, 1969

Homenagem de John Cage a Marcel Duchamp. Letraset sobre plexiglass. O artista menciona que gostaria que o poeta Augusto de Campos ficasse com um desses trabalhos...

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Victor Hugo



Desenho em aguada de nanquim, do escritor francês Victor Hugo

Ulfert Wilke

without words III, 1977

Roy Lichtenstein





 letras no estilo art deco em cartazes de jazz e de cinema desenhados por Roy Lichtenstein


Van Eyck


Outrora (na Idade Média ou na Renascença) os pintores não assinavam sua obra enquanto não estivessem suficientemente confiantes para conceder o mérito de seu selo ou rubrica de seu atelier. Mas a evolução da situação do pintor no interior da economia ocidental, não trabalhando mais sob o comando de qualquer igreja ou príncipe, mas se metendo a produzir os objetos para vender por intermédio dos mercadores, objetos para os quais ele faz uma marca de fábrica, uma garantia de autenticidade, o que faz a assinatura se tornar uma prática cada vez mais comum e cada vez mais importante. Entre numerosos artistas ocidentais, todo o trabalho sobre a escrita, toda a caligrafia se concentra nisso.

A assinatura-marca, quer dizer que ela não é destinada a facilitar a venda de um objeto sobre o qual foi colocada, mas deve promover um atelier e atrair para ele as encomendas de grandes trabalhos, é daqui em diante um exemplo de saber fazer que propõe a obra como amostra ou catálogo (é assim que nós podemos pintar rostos, flores, suplícios, paisagens e inscrições) ela será então bem elaborada, muito bem desenhada.
Tomemos o famoso texto no Casamento de Arnolfini abaixo do espelho no interior do qual percebemos sem dúvida o artista, mas sem que possamos precisar qual das três figuras minúsculas entre as costas dos dois esposos: “Johannes de Eyck fuit hic” (Jean Van Eyck esteve aqui – e não, como temos a tendência a ler, de acordo com a fórmula das assinaturas posteriores, mas com descaso pelo detalhe das letras “fecit hoc”: quem fez).

Jean Van Eyck assistiu o momento do matrimônio, a pronúncia das palavras sacramentais dos esponsais. A obra é resultado de sua presença. Não se trata de uma sessão de poses necessária ao artesão pintor que faz retratos depois da cerimônia propriamente dita para a qual tal artesão não poderia ser convidado. O que a obra comemora é justamente o feito de que o pintor foi convidado, ele próprio é uma testemunha, é uma promoção que está representada por ele nesse acontecimento; ela foi pintada como um agradecimento.

Mas também que insígnia desse presente real! Sendo capaz de captar na armadilha do espelho de minhas cores suas cerimônias mais íntimas, podem considerar que tive o mérito de assistir; a excelência de minha pintura é tal que me coloca no mesmo nível de vocês. Outro pintor poderia desenhar seus rostos, compor todos esses objetos, mas que outro pintor esteve lá?

A extrema elaboração desse gótico mostra bem que não se trata de uma marca de fábrica, nem mesmo de uma simples rubrica; além da comemoração de um ato essencial (o casamento, o convite, a presença), a assinatura é ela mesma um ato essencial: por meio dela Jean Van Eyck pode assegurar publicamente o título da burguesia que de certa maneira teve o reconhecimento a partir desse dia.

(excerto de As palavras na pintura, de Michel Butor. Tradução de Amir Brito Cadôr)