quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Di Cavalcanti

Pela fatigada praça do bairro vicioso, onde os lampiões allumiam desvãos com luz erma, arrastam vultos. Numa esquina, ao fundo, ha um bar. Vem das portas amplas o barulho confuso das vozes e a sacudida plangência do piano fanhoso. Passa rapido, na direcção do caes, um auto levando gente a cantar, numa alegria de sabbado caxeiral. E volta o sossêgo a fatigada praça, ao fundo da qual as portas fixam a sua grande mancha clara e sonora.

Somnolento, o rondante olha o luar. Depois, caminha uns passos, atravessa a calçada, agarra pelo hombro uma senhora que dormia. A sombra vai sentar-se mais longe, noutra soleira de porta. E o rondante, distrahido, volta á contemplação do luar, bocejando.
Mulheres, sahindo dos beccos equivocos que desembocam na praça fatigada, param perto de homens, murmurando convites.

É doloroso um convite assim, sem conhecer as pessoas.

– Meu caro poeta...

– Meu caro pintor...

– O bar deve estar delicioso.

– Fantoches da meia-noite...Como são infelizes, trágicos!

– Infinitamente, meu caro pintor.

Devemos ter o ar vagabundo dos philosophos sem importância. Começamos a dizer baixo reflexões penosas.

– Nós também somos fantoches.

– Evidentemente.

– São todos, somos todos fantoches...Não vês os cordéis do destino a movê-los, a mover-nos? São cordéis imponderáveis... E o destino sabe articular-nos com habilidades de contra-regra cruel...

– Nunca nos poderemos divertir. Porque será que enxergamos esses fios que movem as creaturas? Ellas não sabem de nada...

– A meia-noite é o principio da vida differente. Depois da meia-noite, todas as creaturas têm a sua finalidade trágica marcada no rosto, ou no gesto, ou na voz. Todas se confessam, sem querer.

– Todas mostram os cordéis...

Seguimos pelo caes, á sombra das arvores. Cada vulto que encontramos nos dá a sensação de uma personagem inconsciente a desempenhar isolada o seu papel.

– Fantoches!

– Si eu fosse o contra-regra...

E o luar, como uma gambiarra excepcional, illumina do alto a farça monotona...

Rio, dezembro de 1921,
Ribeiro Couto


















Di Cavalcanti, Fantoches da Meia Noite.

Publicado por Monteiro Lobato em 1921, esta narrativa feita de imagens teve pouca circulação.
Existe um exemplar na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.
Um fac-símile aparece na obra de Álvaro de Moya e Moacy Cirne, "Literatura em Quadrinhos no Brasil", da Nova Fronteira.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Niklaus Troxler - Jazz in Willlisau










 Cartazes "all-type" é a especialidade deste suíço, um grande amante do jazz que desde 1975 organiza o Willisau Jazz Festival (e faz os cartazes do festival, é claro).


Tim Berne & Mark Helias, 1995

Koelner Sax Mafia, 2005

Amina Claudine Myers, 2008

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Hassan Massoudy




O artista iraquiano Hassan Massoudy em seu ateliê em Paris


Para fazer estas caligrafias em grandes dimensões, ele fez uma pena larga de feltro.



quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Armin Hofmann


1951

a boa forma

poster

Anna Bella Geiger


O Pão Nosso, 1978
Fotografia em cartão postal, serigrafia, sacola de papel, 36 x 60 cm
Edição de 5

copiado de artebrasileira1970

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Biblioteca particular 2





biblioteca particular
pinturas de amir brito cadôr

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Biblioteca particular 1

Painel formado com pinturas de Amir Brito Cadôr
acrílico e óleo s/ tela, 2005-2007

Tauba Auerbach

letra F
tinta sobre papel
(96x127 cm, 2004)

Esta artista de San Francisco trabalhou como desenhista de letreiros, o que fica evidente na precisão com que desenha estas letras.

letra K
tinta sobre papel
(96x127 cm, 2007)

Bissier


segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Décio Pignatari


José de Arimatéia

sem título, 1969

José de Arimathéa Soares Carvalho (Pirapora/MG), poeta ligado ao poema- processo.

Noigandres


Capa de Décio Pignatari para a revista Noigandres 1

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Jack Pierson

Desejo/Desespero


RosesRosesRoses, 2005






Este artista compra em ferro-velho os letreiros antigos de Las Vegas e monta as palavras com letras de estilos diferentes

Jack Pierson nasceu em 1960, Massachussets, EUA. Participou da Bienal do Whitney Museum de 2004 e 1993. Em 2007, participou da Trienal Bovisa, em Milão. Já expôs no Centre Georges Pompidou, Paris, na Galeria de Arte Contemporânea da Bologna e no MAC-Miami.

Jannis Kounellis

Paul Klee

E

e


With the red X, 1914


Watercolor on paper, 32.7 x 24.8 cm


Scherzo with Thirteen, 1922.
Ink transfer drawing with watercolor, ink, and pencil on paper on board
27.9 x 35.9 cm

During his tenure at the Bauhaus, Klee explored distinctive ways of image–making, including transfer drawings. This work was executed by tracing the lines of a pencil drawing through a black-inked surface onto another clean sheet of paper. The clean sheet received the outline of the drawing in black as well as additional smudges of excess pigment, to which Klee then directly added motifs in watercolor and ink. The arching and angled arrows, before which whimsical figures appear to dance, indicate motion and spatial depth. The reference to music, a mainstay in Klee's life and in his Bauhaus activities, is underscored by the word "scherzo," referring to a vigorous and playful composition, in the work's title.


O wide format

Vila R