quarta-feira, 14 de novembro de 2007

León Ferrari


poema visual do argentino León Ferrari. Escrito em braile, a frase "ama o próximo como a ti mesmo" sobre xilogravura japonesa do séc. XVIII


Pedro Xisto

Zen, 1966

Este logograma de pedro Xisto apresenta uma simetria bilateral, que remete a um tipo de construção arquitetônica japonesa. No centro, as linhas formam o ideograma "sol". Um olhar menos atento demora para identificar o texto e vê apenas o desenho geométrico.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Pierre Albert Birot


torre feita com tipos de madeira

Antonio Gomes

poema de amor


Invasão

poema objeto

Christian Morgenstern


canção noturna dos peixes

Dan Graham


Homes for America

"Homes for América" (1966) é uma espécie de ensaio formado por imagens e textos publicados na revista "Arts". É composto por 34 blocos de tamanho similar que contêm trechos de anúncios imobiliários, listas de preferências de cores de tinta para fachadas e fotos do exterior e do interior de casa típicas da arquitetura pós Segunda Guerra. (via Bienal SP)

Artur Barrio

LIVRO DE CARNE
Paris, 1979

A leitura desse livro se fez a partir do corte / ação da faca do açougueiro na carne, as fibras seccionadas, as fissuras etc. etc., assim como as tonalidades e colorações diferentes. Para terminar é preciso não esquecer de falar das temperaturas, do contato sensorial (dos dedos), dos problemas sociais etc e etc ..................................................................................
.................................................. boa leitura.





quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Lygia Pape

página do Livro da Criação

Ele foi criado em 1959, durante o movimento neoconcreto. Eu experimentei todo tipo de linguagem: trabalhei com poemas, esculturas, pinturas, desenhos, fiz um livro com gravuras e poemas etc. Desenvolvendo essas idéias inventei o livro da criação, onde eu narrava a criação do mundo de forma não-verbal, sem palavras: só formas e cores. O livro é formado por unidades de 30 x 30 cm, e todas elas partem do plano para o espaço, quer dizer, à medida que se manuseia o livro você vai armando as estruturas e a "leitura" se faz através das formas coloridas. E é bom que se diga que logo de plano há duas leituras plausíveis: pra mim ele é o livro da criação do mundo, mas para outras pessoas pode ser o livro da "criação". Através de suas próprias vivências, um processo de estrutura aberta onde cada estrutura armada desencadeia uma "leitura" própria. Esse livro foi uma invenção original, onde a linguagem não-verbal determinava uma narrativa verbal. Ele contava uma estória, que emergia de sua própria estrutura, naturalmente.

depoimento de Lygia Pape, no livro editado pela Funarte em 1983.

Bayeux



A Tapeçaria de Bayeux, conhecida por “tapeçaria da rainha Matilde”, é um bordado com 70,34 metros de comprimento, representando em 58 cenas a conquista da Inglaterra pelos normandos. Foi concluída no ano 1066.

Bruegel

Os provérbios

Um trecho da Bíblia muito lido na época de Bruegel era o Eclesiastes, um dos livros do Velho Testamento que contém a frase "o número de tolos é infinito". Com este quadro, Bruegel teve a intenção de entreter e instruir. Fez isso com admirável sucesso, criando uma janela para o mundo, tanto no sentido visual como moral. A obra de Bruegel resistiu ao tempo porque cada geração tem a sensação de que ela se refere às questões e à realidade do seu próprio tempo.
Eis alguns provérbios que podemos localizar no quadro:

Vivendo debaixo da vassoura. Um casal mora junto sem estar casado ‑ um estado de pecado que se chamava "viver debaixo da vassoura”.

Um malandro com chapéu colorido de pompom branco está roubando nas cartas. Sua atitude para com o mundo é representada graficamente: ele defeca no globo abaixo da janela. Dentro da taverna, dois tolos "levam um ao outro pelo nariz”: um ignorante tenta instruir outro ignorante
Armado até os dentes "Colocar o guizo no pescoço do gato" era a tarefa perigosa que um intrépido rato tentou realizar, num conto de fadas flamengo. Este homem está sendo supercauteloso; está literalmente 'armado até os dentes", para proteger-se da ira de um gato velho e manso.
Assando arenques Este tolo perde tempo "assando arenques para comer as ovas". Ao seu lado, outro tolo literalmente "cai entre dois banquinhos", numa vã tentativa de sentar‑se em ambos.
Fogo e água A mulher carrega fogo em uma das mãos e água na outra: ela não consegue formar uma opinião. Ao seu lado, o porco que arranca a rolha do barril representa a ganância.
O hipócrita O pilar representa a Igreja; o homem que abraça e ao mesmo tempo morde o pilar é um hipócrita. Ele mantém seu ato em segredo, "debaixo do chapéu", que está colocado em cima do pilar.
A mulher que amarra um demônio numa almofada representa a esposa tirana. Bruegel dedicou um quadro a esse tema, conhecido como Dulle Griet (Margarida Louca). Os provérbios daquela época diziam que uma mulher assim era capaz de visitar o inferno sem nada sofrer.
Batendo a cabeça na parede. Muitos personagens, como este tolo que bate a cabeça na parede, perdem tempo em trabalhos vãos. Outros atos semelhantes de estupidez aparecem no quadro: no rio, um tolo "pesca atrás da rede", enquanto outro"nada contra a corrente", e à direita, embaixo, um homem tenta "abrir a boca mais que um fomo".
Muito trabalho e pouca lã, disse o tolo, e tosquiou o porco”. Atrás dele, duas mulheres espalham boatos maldosos.
Tapar o buraco depois que se afogou é tomar precaução depois que um desastre acontece.

domingo, 4 de novembro de 2007

Raoul Hausman






Estes trabalhos remetem às onomatopéias e pesquisas com poesia sonora, pela repetição de sons sem sentido.

Paul Rand


IBM, 1982
an Eye - for perception, insight, vision
a Bee - for industriousness, dedication, perseverance
an "M" - for motivation, merit, moral strength
A somewhat unusual perspective of the familiar IBM logotype, and a light reminder of the fundamental qualities that have come to characterize the outstanding men and women who have built, and who continue to build, the success of the IBM company.
(texto em branco, escrito com tipos miúdos, na parte inferior do cartaz)

Stendhal

a long sous p, g grand a petit

como dizia o Quintana, devora-me ou te decifro
(é preciso conhecer a língua francesa para ler corretamente esta indicação em uma tabuleta de uma taverna, que em português seria: vamos comer, tenho grande apetite)

Regina Silveira

Rébus para Duchamp, 1977
offset, 66 x 48 cm
"Caro Duchamp, a arte é enigma, jogo ou paródia?"
Da série "Jogos de Arte", esta carta enigmática para Marcel Duchamp cita diversas obras do artista francês, começando pelo auto-retrato na primeira linha, o "ar de Paris" na segunda linha, e a roda de bicicleta na última linha.

João Cabral de Melo Neto

O SIM CONTRA O SIM (excertos)

Miró sentia a mão direita
demasiado sábia
e que de saber tanto
já não podia inventar nada.

Quis então que desaprendesse
o muito que aprendera,
a fim de reencontrar
a linha ainda fresca da esquerda.

Pois que ela não pôde,
ele pôs-se a desenhar com esta
até que, se operando,
no braço direito ele a enxerta.

A esquerda (se não se é canhoto)
é mão sem habilidade:
reaprende a cada linha,
cada instante, a recomeçar‑se.

Mondrian, também, da mão direita
andava desgostado;
não por ser ela sábia:
porque, sendo sábia, era fácil.

Assim, não a trocou de braço:
queria-a mais honesta
e por isso enxertou
outras mais sábias dentro dela.

Fez-se enxertar réguas, esquadros
e outros utensílios
para obrigar a mão
a abandonar todo improviso.

Assim foi que ele, à mão direita,
impôs tal disciplina:
fazer o que sabia
como se o aprendesse ainda.

[...]

Juan Gris levava uma luneta
por debaixo do ôlho:
uma lente de alcance
que usava porém do lado outro.

As lentes foram construídas
para aproximar as coisas,
mas a dêle as recuava
à altura de um avião que vôa.

Na lente avião, sobrevoava
o atelier, a mesa,
organizando as frutas
irreconciliáveis na fruteira.

Da lente avião é que podia
pintar sua natureza:
com o azul da distância
que a faz mais simples e coesa.

Jean Dubuffet, se usa luneta
é do lado correto;
mas não com o fim vulgar
com que se utiliza o aparêlho.

Não intenta aproximar o longe
mas o que está próximo,
fazendo com a luneta,
o que se faz com o microscópio.

E quando aproximou o próximo
até tacto fazê-lo,
faz dela estetoscópio
e apalpa tudo com o olhar dedo.

Com essa luneta feita dedo
procede à auscultação
das peles mais inertes:
que depois pinta em ebulição.

João Cabral de Melo Neto, do livro Serial (1959-1961)

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Raymundo Colares

Gibi


“Seus quadros formam sempre um losango na parede (...) não têm centro, logo não tem começo nem fim. Os seus gibis, que remetem ao “Livro da Criação” de Lygia Pape, são obras em processo, as imagens se fazem, ou se desfazem a medida que as folhas vão sendo movimentadas. Virtualidade pura. Nos seus gibis reviveu a assimetria de Mondrian, recriou a magia da noite e dos arranha-céus e Broadway Boogie-Woogie ou demonstrou o teorema cromático da “homenagem ao quadrado” de Albers. Estes gibis constituem um dos momentos mais fascinantes da arte brasileira contemporânea” Frederico Morais, O Globo, 1983.


aqui tem um vídeo mostrando algumas páginas de um Gibi

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Robert Rauschenberg


Convidado a participar de uma exposição na Galeria Iris Clert em 1961, em que os artistas deveriam fazer um retrato de Iris Clert, dona da galeria de Paris, o artista americano enviou no lugar da obra este telegrama, com a frase "Este é um retrato de Iris Clert se eu disser que é".

Richard Serra

Verb list, 1967-68
rolar, vincar, dobrar, armazenar, curvar, encurtar, torcer, trançar, manchar, esmigalhar, aplainar, rasgar, lascar, partir, cortar, separar, soltar
A escultura se resumia a dois verbos: talhar e modelar.