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sábado, 13 de agosto de 2011

Guto Lacaz

Le Dejéneur sur l' herbe Tupinambá, apropriação, 1988
Theodore de Bry e Merian, a partir de relato de Hans Staden, 1592

Le Déjeneur sur l´Art, Manet no Brasil, Parque Laje, Rio de Janeiro/RJ
(exposição com citações, releituras e apropriações da obra Le Dejéneur sur l' herbe (1863) de Manet)

sexta-feira, 22 de abril de 2011

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Wassily Kandinsky



Sucession, 1935

Existem diversas referências à música na obra do pintor russo. Nesta pintura, sinais abstratos são dispostos em linhas, como notas musicais em uma pauta.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

sábado, 5 de setembro de 2009

Vileneuve

Pietá
Na Pietá de Villeneuve-lès-Avignon, São João, a Virgem e Madalena são imediatamente identificados em seus papéis na cena, mesmo pelos cristãos menos instruídos, pois seus nomes estão escritos em suas auréolas; por outro lado, nós não reconhecemos o doador, e nenhum texto nos tira da ignorância. Quanto ao Cristo, ele não tem senão uma auréola de raios sem nenhuma letra. As palavras:

“Johannes Evangelista
Virgo Mater
Maria Magdalena”

não são pintadas, a bem dizer, mas gravadas sobre o fundo de ouro e difíceis de decifrar à primeira vista; não é senão lentamente, com a luminosidade, que lemos letra por letra. Elas não estão ali para permitir que identifiquemos os personagens, mas para nos obrigar a pronunciá-las respeitosamente o mais freqüentemente possível. Elas não se tornam legíveis a não ser com certa demora; elas nos obrigam a prestar atenção. Encontramo-nos diante do mesmo fenômeno ao nos depararmos com a espantosa ortografia das inscrições nas tumbas egípcias, destinadas a provocar a pronúncia efetiva do nome do morto. Conhecemos o papel das deformações ortográficas na publicidade moderna.

A disposição circular ao redor de cada cabeça participa dessa desaceleração, esse retardamento da leitura, certas letras se encontram em posição invertida, mas sobretudo a tela é de certa maneira orientada por cinco círculos dourados: as três auréolas, o nimbo de Cristo, e essa estrela como uma jóia no manto da Virgem, stella matutina.

O fundo dourado é o céu sobre o qual se inscreve eternamente os nomes dos personagens sagrados; a estrela matutina, atravessando a cobertura corporal da Virgem acima do horizonte é o anúncio da descida do céu sobre a terra, que vemos realizada no corpo do Cristo morto, de quem a cabeça irradia abaixo da linha do horizonte.

A ausência de um nome nesse nimbo se revela tão importante quanto sua presença nos outros: por sua ignorância, ele nos fará esperar a ressurreição para se desenvolver inteiro.

Irradiação dourada que nos revela os nomes dos outros como irradiação de sua cabeça: intimamente, indefinidamente, a partir de sua entrada no céu, eles pronunciam seu nome no concerto de anjos, é a essa pronúncia que associamos o deciframento.

Na auréola central “Virgo” e “Mater” se equilibram. “Mater” é legível quando estamos do lado de São João; com efeito, o Cristo disse no Gólgota: “Eis tua mãe”. “Virgo” é legível do lado de Madalena. João dá eternamente à Virgem o nome de mãe, a pecadora celebra eternamente a mãe de Deus ao dar-lhe o nome de virgem; os raios de leitura se cruzam nesse círculo.

O prenome “Maria”, que se aplica tanto à cortesã de Magdala quanto à mãe de Jesus, está inscrito do lado desta; a palavra “evangelista” olha o crucificado. Mas não esgotamos a sonoridade de uma tela. Toda a parte de ouro celeste está enquadrada por uma longa inscrição em caracteres tão pequenos que são lidos ainda mais lentamente:

“O vos omnes qui transitis per viam attendite et videte si est dolor sicut dolor meus”,
“Ó vós que passais pelo caminho, olhai e vede se há dor comparável à minha dor!”;

Tratam-se das palavras atribuídas pela liturgia católica à Virgem nos ofícios das sextas e sábados santos:

de modo crescente à esquerda, interrompe a passagem pela rota habitualmente horizontal de nossa leitura, pois aqui nosso itinerário figurado, nossa distração, com as palavras “attendite et videte” que nos detém, depois descendo pela direita para nos encontrarmos com a encarnação dessa dor, cilada piedosa.
(trecho de As Palavras na Pintura, de Michel Butor, traduzido por Amir Brito)

terça-feira, 16 de junho de 2009

Marcel Duchamp


L.H.O.O.Q., 1919 (a partir de Boîte-en-valise)
Readymade ajudado: lápis sobre uma reprodução da Mona Lisa
19,7 x 12,4 cm
As letras que aparecem a lápis abaixo de uma reprodução da mais famosa pintura de Da Vinci podem ser lidas como "ela tem fogo no rabo", o que explicaria seu enigmático sorriso.

Encontrei hoje este site, um dos mais interessantes a respeito do Duchamp. Para estudos mais aprofundados, tem um outro, o Tout Fait.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Valdés Leal


Últimos Instantes
"Em uma das telas chamada Postrimetrias (Últimos Instantes), que ornam a capela mortuária de Miguel Manara na igreja do hospital de caridade de Sevilha, supremo desenvolvimento do tema da Vanitas, Valdés Leal escreveu na bandeirola rompante o “finis gloriae mundi”, e sobre os dois pratos da balança fatal “nimas” (nem mais) sob os emblemas dos sete pecados capitais, “nimenos” (nem menos) sob os devocionais. No meio de cada grupo simbólico, um coração, o da esquerda com asas satânicas, o outro com o monograma “IHS”.

fragmento de Michel Butor, As palavras na pintura.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Van Eyck


O retábulo de Gand, fechado (acima) e aberto

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

René Magritte


Le Miroir magique [The Magic Mirror], 1929
Oil on canvas
73.00 x 54.50 cm (framed: 91.80 x 73.00 x 7.00 cm)
National Galleries of Scotland, Edinburgh

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Vincent Van Gogh












Still Life with Sculpture, 1887
The Yellow Books, 1887

French Novels, Arles, October, 1888
Amsterdam, Van Gogh Museum.


Still Life with Open Bible, 1885.
Oil on canvas.
Vincent van Gogh Foundation
Rijksmuseum Vincent van Gogh
Amsterdam, the Netherlands.


sábado, 25 de outubro de 2008

René Magritte

Arte da conversa, 1950


"L´Art de la conversation de 1950 tem evidentemente sua origem nos versos de Baudelaire:
“Je suis belle, ô mortels, comme um rêve de pierre...”

De fato, nós vemos em um plano imenso, dois pequenos personagens considerando um monumento ciclópico, um tipo de Stonehenge, no interior do qual a palavra “sonho” aparece escrita em pedras enormes. Por um certo número de desprendimentos, as letras se isolam mais ou menos para dar origem a outras palavras: “Eva”, “treva”, “sonhar” , todas apoiando os mais sólidos juízos; parece tratar-se de uma conversa entre Baudelaire e Magritte."
Michel Butor, em As palavras na pintura.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Giorgione

Old woman (vieille femme), 1508

O papel nas mãos da mulher tem a inscrição em latim col tempo.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Delacroix

Femmes d´Algier

No canto superior direito, uma inscrição em árabe transformou-se em um desenho, um arabesco, ou um rabisco.

sábado, 30 de agosto de 2008

Ingres



Detalhe da pintura de Ingres que mostra um pedaço da assinatura do pintor em um bilhete colocado na moldura do espelho. Mais discreto impossível.

domingo, 24 de agosto de 2008

Edouard Manet



Neste retrato do escritor Émile Zola, temos dois tipos de "assinatura" de Manet: na parede, uma reprodução da pintura Olímpia, e na escrivaninha, entre os livros, a monografia que Zola dedicou a Manet, como pode ser observado no detalhe abaixo.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Frank O´Hara


Why I'm not a painter


I am not a painter, I am a poet.
Why? I think i would rather be
a painter, but I am not. Well,

for instance, Mike Goldberg
is starting a painting. I drop in.
"Sit down and have a drink" he
says. I drink; we drink. I look
up. "You have SARDINES in it."
"Yes, it needed something there."
"Oh." I go and the days go by
and I drop in again. The painting
is going on, and i go, and the days
go by. I drop in. The painting is
finished. "Where's SARDINES?"
All that's left is just
letters, "It was too much," Mike says.

But me? One day I am thinking of
a color: orange. I write a line
about orange. Pretty soon it is a
whole page of words, not lines.

Then another page. There should be
so much more, not of orange, of
words, of how terrible orange is
and life. days go by. It is even in
prose, I am a real poet. My poem
is finished and i haven't mentioned
orange yet. Its twelve poems, I call
it ORANGES. And one day in a gallery
I see Mike's painting, called SARDINES.


Porque não sou um pintor

Eu não sou um pintor, sou poeta.
Por quê? Acho que eu poderia ser
um pintor, mas não sou. Bem,

por exemplo, Mike Goldberg está
começando uma pintura. Eu chego.
“Sente e tome algo” ele diz.
Eu bebo; nós bebemos. Dou uma olhada
“Você tem SARDINHAS aqui.”
“Sim, precisava pôr algo.”
“Oh.” Eu vou, os dias passam
e eu volto. A pintura vai,
eu vou, e os dias vão.
Eu volto. A pintura está
pronta. “Cadê as SARDINHAS?"
Só restaram algumas letras.
“Estavam sobrando”, diz Mike.

E eu? Um dia estava pensando
em uma cor: laranja. Escrevi uma linha
sobre o laranja. Logo havia uma página
inteira cheia de palavras, não linhas.

Então outra página. Haveria muito mais,
não laranja, mas
palavras, como a vida e o laranja
são terríveis. dias passam. Mesmo
em prosa, sou um bom poeta. Meu poema
está pronto e ainda não mencionei o laranja.
São doze poemas, eu chamo de LARANJAS. E um dia
em uma galeria vejo a pintura de Mike, chamada SARDINHAS.

tradução de Amir Brito Cadôr

quinta-feira, 31 de julho de 2008

René Magritte


Acima, reprodução de "Les mots et les images", publicado em 1929 na revista Revolution Surrealiste. Um fragmento deste texto é citado por Michel Foucault em "Isto não é um cachimbo".